Quase ano e meio depois de uma vida em suspenso, a Tracker Magazine regressa ao activo em pleno. O tempo de quase ausência e de silêncio serviu para fazer experiências e testes, para reflectir sobre a importância dos meios de comunicação musicais online, sobre a relevância e o real interesse de escrever sobre música e a posição e o foco da Tracker dentro desta pequena enorme bolha.

A resposta acabou por ser clara e inequívoca, e fez traz de volta à realidade uma publicação que desde os primeiros passos se definiu como um veículo de procura e descoberta e que se debruça sobre a cena independente nas suas mais diversas ramificações. Sendo desde os primeiros passos mais do que uma revista sobre música mas também uma declarada história de amor entre nós – os leitores e a música de carácter alternativo -, a Tracker emerge novamente com o mesmo objectivo de sempre mas com uma nova e distinta abordagem, sublinhando mais e mais a necessidade de mostrar o novo, de desbravar o desconhecido, de colocar os holofotes em pontos que outras publicações não colocam. Mais underground, sim, mas a levar a sede de descoberta cada vez mais longe. Aos aventureiros, aos destemidos, a quem não se fica pelas escolhas óbvias, esta história de amor é agora (outra vez) nossa.

Como o silêncio e a ausência são tantas vezes a melhor fonte de conhecimento, a invisibilidade serviu-nos para absorver exaustivamente os lançamentos de 2019. Se Fevereiro é um bom mês para lançar uma lista de discos que marcaram o ano? É, porque estamos longe do caos e do excesso de tantas listagens de discos do ano, essas que aparecem cada vez mais cedo no calendário e definitivamente antes do ano terminar. O olhar que se segue é apenas e tão subjectivamente opinativo e reflecte de alguma forma a amplitude editorial e estilística que se espera venha a ser a nova velha Tracker Magazine: um mundo onde habitam em harmonia todos os horizontes que atravessam os conceitos e sonoridades de uma forma ou de outra alternativos.

São 270 discos (na verdade são mais porque alguns artistas editaram mais que um título e, segundo a nossa leitura, são duas faces do mesmo rosto artístico) mas podiam ser 129, 267 ou 312, sem lugar cativo atribuído aos nomes maiores só porque sim e com muitos, mas mesmo muitos nomes que normalmente não surgem nestes baralhos. Apenas os 20 primeiros têm texto a acompanhar por razões logísticas, mas na página 3 residem os restantes 250 com link para a escuta no título de cada um dos discos. A preferência recaiu para as páginas de bandcamp sempre que possível de forma a direccionar os leitores a conviver com a possibilidade da aquisição do objecto físico – e não, não temos qualquer comissão das vendas -, em detrimento do mero streaming. As cartas estão na mesa e é hora de recomeçar a jogar.

#20. The Good OnesRWANDA, you should be loved
Anti- Records (08 de novembro)

Um tutsi, um hutu e um tuá entram num bar e… podia ser uma piada mas não é. Os The Good Ones são três ruandeses que se juntam para fazer música na quinta pobre e sem quaisquer condições ocidentalizadas do seu lider, Adrien Kazigira. Aqui foi onde ele nasceu, os seus filhos também, onde viveu durante toda a sua vida e foi onde RWANDA, You Should Be Love foi gravado. Foi também aqui, nas árvores, que Adrien se escondeu durante meses de forma a escapar aos massacres de 1994. A quinta de Kazigira não tem luz e não tem água, mas a música que ele faz com Janvier Havugimana e Javan Mahoro tem uma coisa que não se encontra desta forma depurada em nenhum grande estúdio, nem nas guitarras luxuosas das grandes estrelas. A música dos The Good Ones tem tal esperança e uma luz natural que iluminou muito além dos seus portões chamando a atenção do produtor norte-americano Ian Brennan. Recorrendo quase exclusivamente a instrumentos feitos artesanalmente e ao uso de utensílios da sua vida diária na quinta como instrumentos de percussão, os The Good Ones fazem música da alma escrita a suor e sol. Fieis às suas tradições, eles cantam o dia que começa e acaba, cantam o amor e a amizade, a beleza do amanhecer e da mulher amada, cantam os filhos, os amigos, a família, o país que tanto amam e as raízes que os faz aquilo que os faz. Em Rwanda os The Good Ones chamam de amigo a alguns nomes maiores da cena alternativa: Nels Cline dos Wilco, Tunde Adebimpe dos TV on the Radio, Corin Tucker das Sleater-Kinney, Kevin Shields dos My Bloody Valentine e Joe Lally dos Fugazi. Uma legião de all-stars que podia ter posto em causa o grau de pureza do trabalho mas que em vez disso mostra como a imensidão desta obra dos Good Ones é tão maior que o brilho do ocidente selvagem. Os heróis aqui são os três homens do Ruanda e a forma como as contribuições de cada uma das lendas é diluida na verdade de cada um dos temas acrescenta apenas a certeza que estamos perante um disco gigantesco de tão simples e tão belo. Rwanda é um daqueles aqueles estalos da vida que acorda para uma realidade básica que não conheces ou que nunca viste. É a sensação de alguém do interior que vê o mar pela primeira vez! Todos ouvimos falar, sabes que existe, já viste na televisão mas quando te deparas com o cenário… é o paraiso. Coisa linda, pá!

#19. drowseLight Mirror
The Flenser (7 de junho)

Entrar em Light Mirror assemelha-se a entrar num sotão abandonado que, dizem os antigos, por lá se ouvem passos e sussuros. Por vezes, quando menos se espera, um piano de ecos soa no ar tétrico e frio aconchegado por uma presença benevolente em eterna espera de absolvição e liberdade definitiva da memória do que antes foi. Gravado em total isolamento durante uma residência artística no norte da islândia por Kyle Bates – elemento único e central de um projecto que tem em Maya Stoner a única colaboradora mais ou menos presente ao longo de toda a obra -, o terceiro álbum de drowse é um espelho de luz sobre a mente e a sensibilidade afectada do génio louco criador que lhe dá vida. Light Mirror é quase incategorizável fazendo ricochete entre as paredes do sotão hermético de Kyle onde cacos de slowcore, shoegaze, noise, black metal, art folk experimentalista, post-rock e um lo-fi krautificado se unificam para dar à luz um hibrido desconfortável que de vez em quando abre as janelas para deixar entrar as neblinas do bosque de Twin Peaks. Diagnosticado com doença bipolar 1, Bates debruça-se aqui de forma aberta e numa estranha forma de paz sobre a sua condição. A arte acima do relacionamento humano dando-lhe as doses brutais de solidão necessárias para a criação apesar de uma procura pelo calor da humanidade vivendo entre estas contradições constantes e fazendo delas uma musa especial. Kyle escreve uma obra tão grande quanto aquilo a que se esteja capacitado para aguentar. Se os Slowdive, Grouper, Sigur Rós e Mount Eerie são espectros com que se está habituado a dançar nas noites escuras, encontra-se na música de drowse um novo par para uma deslumbrante valsa do desespero.

#18. Thom YorkeANIMA
XL Recordings (27 de junho)

Do outro lado do sonho é onde Thom Yorke habita. Do outro lado do sonho mas a devorar a fina linha entre o lado de cá e o lado de lá seja ele onde for ou o que for. Yorke desenha a lápis neon turvos uma das suas obras maiores com e sem os Radiohead e o seu primeiro disco de nível realmente superior sem a companhia dos seus companheiros dos últimos 35 anos. Como se a magnificiência que eram os dois primeiros álbuns, The Eraser de 2006 e Tomorrow’s Modern Boxes de 2014, não fosse mais que um mero ensaio por terminar do que estaria a ser testado até sair em estado depurado em ANIMA. O terceiro longa duração de Thom Yorke não é disco que se acomode a sonoridades, planando como um tapete voador vaporoso que o músico de Oxford usa como observatório do mundo, onde regista as ansiedades do mundo moderno – as nossas, as deles, as do globo – e as filtra uma a uma num laboratório de glitch e ambient dançável numa pista de um clube algures lá em cima num cargeiro espacial de solidão. Thom infiltra-se molecularmente pelas ruas distópicas da realidade desafiante para retirar os mais moleculares pensamentos de cada um dos habitantes do planeta: as angustias e frustações, os medos e os embelezamentos vazios, a proximidade mentirosa que a todos nos une, a urgência e a catatonia, a claustrófobia do tudo na palma da mão virtual inexistente. The panic, the vomit… será que os androides paranóicos sonham com ovelhas electrónicas?

#17. clipping.There Existed an Addiction to Blood
Sub Pop Records (18 de outubro)

Halloween-Hop? Hip-Carpenter? O ambiente é este! Sombrio, frio, cortante como a faca de Michael Myers na procura do corpo de Jamie Lee Curtis. Os clipping. assumem-se cada vez mais como figura na proa de uma Christine carregada de beats, noise e rimas com um flow tão brutal como rápido onde histórias de horror, nem sempre ficcional na inspiração, se transformam em contos gore dignos de serem transplantados para o imaginário de filmes de Takashi Miike como Ichi The Killer ou Gozu. Os clipping. de There Existed an Addiction to Blood são os mesmos do mui sci-fi Spendor & Misery de 2016 mas, ao mesmo tempo, não são os mesmos de antes. O corpo dos temas sente-se mais cheio mesmo que o minimalismo a que por vezes as batidas e os ambientes são reduzidos sejam uma sequência natural das batidas e dos ambientes do três discos anteriores. No entanto os clipping. conseguem aqui inserir um novo dado na investigação dos crimes da sua Rua Morgue. Aquela melodia northern soul que os Young Fathers tão bem usam para cozer os membros disconexos de industrial e hip-hop surgem bastante mais que a espaços para ser mera coincidência. A capacidade de Daveed Diggs de escrever histórias de terror é levada a extremos de horror e crueldade quase doentios tornando este quarto longa-duração da banda de Los Angeles uma experiência de invulgar desconforto. Uma escuta não é de todo suficiente para absorver o fio condutor destes contos mortuários mas a escuta repetida pode deixar marcas fundas… e um certo receio de espreitar para debaixo da cama. Como um acidente macabro para o qual é impossivel não olhar, There Existed an Addiction to Blood é um álbum aterrador e angustiante. Com tudo o que isso tem de bom e maravilhoso!

#16. Vieo Abiungo (William Ryan Fritch)The Dregs
Lost Tribe Sound (15 de março)

O nome de William Ryan Fritch pode dizer muito pouco a demasiadas pessoas mas a razão para tal é apenas e só a sua vontade de se manter nos limites da independência e, automáticamente, do independente. Fritch na sua multiplicidade de encarnações, leva já no curriculo quase quatro dezenas de títulos desde 2006, seja sob o seu nome, sob os projectos Sole and the Skyrider Band ou Death Blues ou sobre aquele que chegou até a esta lista, o alter-ego Vieo Abiungo. The Dregs não é um disco de originais – dregs significa “restos” mas se isto são restos… – mas uma recolha e reconstrução de temas que andavam perdidos pelos baus da editora de sempre, a Lost Tribe Sound. Com edição limitada e apenas no formato cassete – dentro da série Dead West Tape Series -, The Dregs explora o conceito de world music de uma forma particular e muito própria. Com um imaginário que remete para as várias Africas, Fritch tece um véu de mundo recorrendo a texturas tanto do berço da humanidade como do Oriente distante, do Oriente médio e de uma Nápoles antigas ou de uma Montmartre cinematográfica. E cinematográfica é, acima de tudo o resto, a obra de William Ryan Fritch tanto na consistência sonora como na escrita efectiva de música para filmes levando para já algumas bandas sonoras para longas metragens e documentários. The Dregs é a orgânica básica da música em bruto a funcionar em prol da vastidão do planeta, uma pérola para quem se permite mergulhar por águas territoriais globais e sem vontade de chamar a terra de alguém por um nome. Podiamos dizer que isto é para quem Yann Tiersen, Animal Collective, Wovenhand e Philip Glass na mesma medida… mas essa seria sempre uma medida insuficiente para cobrir todo o território que tanto The Dregs como a obra de William Ryan Fritch abraçam.

#15. black midiSchlagenheim
Rough Trade (21 de junho)

Quase dez meses depois dos Black Midi terem editado este Schlagenheim – disco que parece tudo menos um disco de estreia apesar de o ser – ainda salta a cada play inicial a sensação de absurdismo. De onde vem cada demonstração de virtuosismo violento? De onde vem cada construcção ritmica arritmica? O que são estas progressões dentro de cada tema? Como é que esta nova espécie de hibrido desconhecido encontrada nas ruas de Londres se assemelha tanto a uma godzilla de jazz, punk, experimentalismo, noise, música improvisada, country e sabe-se lá o que mais, se conseguiu esconder da civilização desde há séculos? E o que quer ela de nós? Schlagenheim é demente, um disco que parece nem sequer seguir qualquer tipo de regras, que vira à esquerda com guinadas impossíveis e novamente à direita para subir os passeios da cidade atropelando a falta de regras. Os Black Midi fazem música tão complexa que só altos catedráticos de alto nível é que conseguirão desmembrar átomo por átomo a quimica destes quatro rapazes ingleses. E se calhar nem assim esta forma disforme, que tanto encaixa em si mesmo os diferentes estados de liberdade criativa de Mr. Bungle, dos Sonic Youth, At The Drive-In, John Zorn, Ornette Coleman e de Charlie Parker, poderia ser definitivamente definida. Schlagenheim é um sinal dos tempos, um obelisco que marca o final de uma década e espatifa as portas todas para a nova que se aproxima a passos largos. Bem vindos ao primeiro tratado de punk e jazz para ouvir num moshpit de metal intelectual. Já lá diz o ditado: presunção e água benta, cada um toma a que quer… os Black Midi tomam nada de nenhuma e ainda bem!

#14. Snow GhostsA Quiet Ritual
Houndstooth (03 de maio)

Complexo, vanguardista, apocalíptico, incómodo e sublime! Os Snow Ghosts transportam-se ao quarto álbum para uma liga – será melhor chamar-lhe dimensão? –  que é só sua, auto-determinada, auto-inflingida e de dificil categorização. Em A Quiet Ritual debruçam-se sobre o processo do luto recorrendo ao folclore britânico entrecruzando-o com o de outras civilizações e culturas. O manto que o cobre é feito de estilhaços medievais de uma folk primordial que sopra indícios dos finais dos tempos para dentro de um caldeirão de post-industrial, electrónicas e post-rock até formar potes de um vidro negro cristalino onde guardam milhares de anos de experimentação e de evolução da música deixando sair a espaços matéria incorpórea que moldam até nascerem estes 12 temas de assombro e magia bruta, violenta e graciosa. O trio inglês escreveu A Quiet Ritual para um ensemble de música clássica e instrumentos modernos e tradicionais entre os quais o carnyx, um instrumento de sopro celta da idade do ferro, escavado na cabeça de um javali, que foi encontrado num pantano em Deskford na Escócia. Um disco perfeito para sonorizar a tomada das cidades de cimento pelos animais sagrados descidos dos céus e pelos tentáculos invenciveis da natureza. Um disco esquecido nas neblinas do ano que precisa ser ouvido e colocado no seu trono de individualidade nobre e suprema!

#13.  Laurie Anderson, Tenzin Choegyal & Jesse Paris SmithSongs from the Bardo
Smithsonian Folkways Recordings (27 de setembro)

Alguém alguma vez sonhou ter Laurie Anderson a dar-lhe a mão no exacto momento pós-morte e a encaminhá-lo para a luz?! Se sim, este disco é para ti. Se não, é porque não sabias que Songs from the Bardo existia. O trabalho que reúne Anderson com Jesse Paris Smith – filha de Patti Smith e com quem editou em 2016 Killer Road, um disco-homenagem a Nico ao lado dos Soundwalk Collective –  e o músico tibetano Tenzin Choegyal é uma meditação guiada baseada no Livro Tibetano Dos Mortos. O longa duração envolve os textos sagrados do budismo em composições com instrumentos tradicionais da terra natal de Tenzin com uma abordagem avant-garde, minimal e ambiental da responsabilidade de Laurie e Jesse assegurando uma constante vibração meditacional ao longo dos 80 minutos da viagem pelos vários estados e estágios de consciência que (alegadamente?) ocorrem depois da morte. Pelo caminho e pela zenitude da voz de Laurie Anderson são descritas entidades e criaturas espirituais, visões e obstáculos que a alma vai encontrando ao longo dos 49 dias que a jornada dura depois do momento da passagem. Uma das mais belas, serenas e intensas paisagens sonoras que 2019 viu materializar-se. Parece cliche mas… é fechar os olhos e perder o peso do corpo por entre os bardos de Anderson, Smith e Choegyal. Boa viagem!

#12. Big ThiefU​.​F​.​O​.​F./Two Hands
4AD (03 de maio/11 de outubro)

A aritmética é mais simples do que pode parecer quando o resultado é 1+1=wow! Mesmo sem se ser um génio da matemática quem passa por Masterpiece – o disco de estreia de 2016 que parecia prever no título um futuro que era já em 2019 –  e por Capacity de 2017, poderia desde logo calcular que os Big Thief estavam com sérias possibilidades estatisticas de chegar onde chegaram com U.F.O.F. e Two Hands. Se os dois primeiros discos não fossem suficientes a prova dos nove estava escondida em abysskiss, assombroso trabalho a solo de voz e guitarra que Adrianne Lenker publicou em 2018, uma espécie de antecâmara e sequela natural do seu trabalho com os Big Thief e, mais uma vez, um dos grandes discos do ano em questão. Separar os álbuns em dois lugares diferentes nesta lista seria como separar dois gémeos à nascença: um dia quando se cruzassem no mundo de forma fortuita seriam atraidos um para o outro de forma a se completarem. Two Hands foi gravado dias depois de U.F.O.F., sem grandes takes transpirando cá para fora a urgência e a crueza com que foram captadas. O primeiro no calor do deserto de El Paso, o segundo nas montanhas húmidas de Washington. Um é a doçura na aspereza do outro, um é o céu no cheiro a terra do outro. Os dois são um capítulo indispensável na história da musica alternativa actual.

#11. Julia JacklinCrushing
Polyvinyl Record Co. (22 de fevereiro)

Estas são canções de honestidade crua, simples e directa. Observações simples sobre a complexidade das relações na complicação auto-imposta do dia-a-dia. Mais do que apenas mais um disco sobre o final de uma relação e os estilhaços que habitam nos corações fragmentados durante o tempo da cura, Crushing absorve as conclusões que já foram tomadas por milhares de milhões de discos escritos sobre a mesma temática somando-lhe uma visão marcadamente feminista. Sim, Julia Jacklin realiza um disco de folk simples – sem nada ficar a dever a Emmylou Harris ou Angel Olsen – e, sim, fá-lo com clareza de pensamento e com o foco na posição da mulher. Fá-lo até com subversão lirica transformando o que poderia ser apenas mais um disco de amores espatifados numa lição de humanidade. Um disco de intimidades, da força e da vontade da mulher em amar e ser amada da forma que pretende ser amada. Simples?! Chegar à simplicidade de uma canção que não precisa de refúgios ou subterfúgios e ainda passar uma mensagem de poder como Julia faz em Crushing requer muitas coisas. Nenhuma delas é simples! Todas elas são talento bruto!