O nome Badwan vinha até agora invariavelmente associado a Faris Badwan, o homem forte dos The Horrors e Cat’s Eyes mas, aparentemente, a força e o negrume correm nas veias da dinastia e Tarik Badwan, irmão de Faris, prepara-se para lançar o seu disco de estreia com os Loom, banda fundada em 2012 com os guitarristas Joshua Fitzgerald e Matt Harsh a quem se juntou em 2015 na bateria Samuel Lister e o baixista Harry Badwan, Sim, o terceiro vértice artístico da família Badwan.

Pesados e distantes, alheios a correntes e modas, negros e saturados de raiva e de uma angústia quase desajustada no tempo e no espaço, os Loom absorvem uma miríade de legados que, não fazendo aparentemente sentido colocados isoladamente uns ao lado dos outros, com algumas décadas de afastamento e sob a luz negra e fosca do olhar denso e desesperante da banda de Warwickshire parecem ganhar um novo significado.

Com uma série de cassetes editadas até agora – dada a predilecção de Tarik pelo formato que considera ser o mais adequado ao som dos Loom – e de alguns singles em vinil, o percurso da banda inglesa tem sido essencialmente feito em palco e assente em muito na figura de Badwan. Considerado pelo NME como “the angriest man to stalk a stage in ages and the owner of the best death stare in London“, Tarik Badwan eleva os Loom para um patamar muito próprio e cerca a banda de uma aura especial de agressividade épica não delimitada por qualquer tipo de fronteiras.

Entre os dois formatos editoriais e ao longo das ainda parcas edições encontramos uma série de covers que ajudam a traçar as correntes influenciadoras do som dos Loom. “She” dos Misfits, “Seasick” dos Jesus Lizard, “Lowdown” dos Wire, “Caribou” dos Pixies ou “Warsaw” dos Warsaw atiram a vários alvos ao mesmo tempo e inacreditavelmente conseguem acertar de forma milimétrica no epicentro de todas as vertentes.

Duros e dementes, abrasivos e pulsantes, os Loom são um monstro de várias cabeças e muitos olhares com as retinas colocadas entre o grunge dos Nirvana, o punk – o post e o não-post -, o goth rock e as inclinações e declinações industriais dos Killing Joke, Sisters of Mercy e Ministry, o post-hardcore noise dos Jesus Lizard e dos Melvins e, ao mesmo tempo, melodicamente – apesar da melodia ser um ingrediente de difícil absorção nas composições dos Loom –, estranhamente alinhado a paralelos onde habitam os The Strokes e os Interpol.

O mundo precisava de uma nova hidra e esta tem dezenas de cabeças. O disco de estreia homónimo dos Loom sai amanhã, dia 19 de Maio pela Silent Cult Records.