A dialéctica da sensualidade é relativamente incomum na esfera da violência platónica do industrial contudo esta aliada a um glamour que tanto se alimenta num Bowie berlinense como num cabaret parisiense pode atingir esferas cinematográficas de um erotismo sem par. Os Fassine realizam a fantasia, aumentam a aposta e ainda incutem aos ritmos voluptuosos dos momentos menos hostis do trabalho de Trent Reznor uma cadência que transpira Bristol e trip-hop por cada milimétrico detalhe como poros que se abrem lentamente um a um ao passar lento de uma língua quente.

Canções que redefinem a luz e a escuridão pelo toque jazzy de um romantismo distópico e reescrevem os manuais do industrial como se “amor” rimasse naturalmente com “perversão” e sendo a subversão de fronteiras (eróticas e/ou sonoras) a entrada triunfal num mundo misterioso, preciso e proibido criado pelo trio londrino. Camadas e camadas de som escurecido são o sopé de uma montanha que só pela voz espectral ainda que estilizadamente inocente de Sarah Palmer (não, não é Laura Palmer mas encaixava tão bem), se consegue subir sem o desconforto da morte, de uma solidão orgânica a bafejar lentamente nas nossas costas ou um desespero sufocante e hipnótico.

Estamos daqui em diante presentes a um daqueles projectos que cavam para si o seu próximo nicho e tanto tempo antes de permitirem sequer uma descoberta aprofundada destas pequenas sinfonias electrónicas em formato completo, os Fassine elevam-se sozinhos a um patamar apoteótico mas ao mesmo tempo isolacionista à semelhança de outras constelações – como Woodkid, Trentemøller, Curve, The Knife, Collide, U.N.K.L.E ou os Golden Filter – que brilham por si próprias incapazes de encaixar num só ou em qualquer novo mapa celeste por descobrir. O disco de estreia, Dialectik, só está prometido para 2016 mas pelas amostras de “Headlong”, “In Your Eyes” e da cover de “Always Crashing The Same Car” de David Bowie, “Bring The Weight Down” da banda sonora da série The Following e do novo vídeo “Sunshine” vamos ser induzidos a uma colossal experiência de tempestades internas.

“The Sunshine” visuals represent isolation, not only as a beautiful thing but also a dangerous one. The video shows the physical and psychological prison that loneliness can hold you in, as well as a euphoric freedom.