Apenas um dia depois do seu ex-companheiro de banda Rostam ter deixado bem claro que a sua travessia pelas areias de uma carreira a solo após a sua saída dos Vampire Weekend no ano passado não significou de todo uma mudança de ventos sonoros (muito pelo contrário; “Bike Dream“, o segundo tema a ser extraído daquele que será o álbum de estreia de Batmanglij, alimenta-se de todo aquele oxigénio quente e tropical instrínseca e instintivamente conhecível como vampiresco, tendo assimilado todas as impressões digitais do seu antigo projecto), por outro lado Chris Baio, o actual baixista dos nova-iorquinos, demonstra por “Dangerous Animal” que uma carreira a solo de contornos musicais totalmente distintos não é premissa incompatível com a continuidade na casa-mãe e que, de certa forma, a busca por novos territórios é condição coerente com a própria definição de projecto independente.

Ou seja: enquanto Rostam sai dos Vampire Weekend para fazer música muito semelhante à dos Vampire Weekend, Baio não precisou de o fazer para dar um outro rumo sonoro ao seu projecto pessoal e afirmar assim a sua independência ainda enquanto membro das fileiras da banda que, com um silêncio discográfico que já leva quatro anos de duração, revelou este ano que se encontra em estúdio a gravar o sucessor de Modern Vampires Of The City de 2013. Também Chris Tomson, o baterista, tem o seu próprio projecto a solo ao qual deu o nome Dams Of The West, por isso não é de estranhar que tantos fãs tivessem ao logo de todo este tempo posto em causa a continuidade da banda. Se com “Philosophy!“, o primeiro tema retirado de Man Of The World que é o segundo trabalho a solo de Baio após o lançamento de The Names em 2015, emana alguma da quentura que poderá ser facilmente associada aos Vampire Weekend, já a nova música “Dangerous Animal” é a antítese de tudo o que se encontra presente no cancioneiro vampiriano e existe como entidade própria.

Nocturna e vibrante, magnética e sombria, “Dangerous Animal” desenha círculos dentro de círculos com as várias camadas de sintetizadores numa ebulição negra de sons magnéticos de pulsação assente numa cadência de beats muito próxima à de “Teardrop” dos Massive Attack. Sobre o disco, Baio revela:

Writing Man of the World was my way of processing 2016, a year that began with the death of my favorite artist, David Bowie, and ended with the greatest political disruption of my adult life – all while I was a nomad, an American living in London, touring two continents, never fully of either place. It’s partially about being trapped in my own head, obsessing about things it was too late to change, feeling afraid and guilty and alone. It’s also my attempt to document a certain sense of loss that felt both intensely personal and like part of a larger collective experience many were going through at once.

Man Of The World é editado pela Glassnote Records no final do mês, no dia 3o de junho. Baio lançou também hoje o vídeo para o tema anterior e o single de avanço “Philosophy!” que podem ver mais em baixo.