Do vento que sopra de Paris em direcção a toda a Europa, nasce por entre os movimentos circulares do ar Tallisker, o alter-ego da produtora e compositora Eléonore Melisande. Com apenas 28 anos de idade, Melisande é detentora de uma aura transcendente voltada para a música que concilia a veia clássica de guitarrista e violoncelista com a veia contemporânea de DJ de invólucro electrónico e com uma pitada de post-folk. A disparidade temporal é a cereja no topo do bolo de cada composição e a razão pela qual a música de Tallisker é dotada de uma singularidade inigualável, capaz de cativar o ouvinte, levando-o numa viagem em teletransporte entre o presente e tempos já idos. Desse feito, nasce o EP primogénito intitulado Implosion nesse tão longínquo mês de Janeiro de 2015. Passado um ano, volta a nascer das cinzas musicais e a surpreender os seus fãs com o segundo EP Heliotrop , já com data de lançamento marcada e tudo.

O processo e composição do novo EP foi inspirado ao som da sempre presente música clássica e do tecnho. Eléonore afirma que tentou reconstruir um género musical novo, apenas com a junção dos dois estilos musicais supramencionados. Et voilá, conseguiu. Heliotrop transporta visualmente cada um para a era antes de Cristo – mais precisamente para a Grécia antiga dos deuses, dos coliseus e das batalhas entre gladiadores. Ao glorificarmos os nossos ouvidos com as músicas presentes no EP, embarcamos numa viagem mitológica, mais especificamente para uma festa de veneração ao Deus Dionísio, onde podemos dançar e cantar ao som de Tallisker. A invocação aos tempos remotos da Grécia é explorada com tanta minuciosidade que se reflete também no próprio nome do EP e do alinhamento, escritos em grego.

Para satisfazer a curiosidade dos seus seguidores, o primeiro single já aí está. “Salanfe” – em português significa “rio” -, pode ser uma metáfora para simbolizar o nascimento de Vénus, que emerge das águas, numa concha. Cada recanto da música consegue guiar-nos visualmente para uma hipotética luta amorosa entre o coração de Vénus e o da sua cara-metade, Marte. O início, recheado a violinos, representa o encontro e a chama que acendeu a paixão entre estes dois deuses, condenados ao seu destino. Em harmonia com os violinos, o som coeso dos sintetizadores procria batidas techno que personificam a batalha interna destes dois amantes, que se apaixonaram em circunstâncias inconstantes, para o desenvolvimento de uma paixão consistente e duradora, pois a deusa do amor já se encontrava devota ao seu marido, o deus Vulcano.

Ao longo dos 4 minutos de “Salanfe”, pode-se ouvir repetidamente “keep it secret“. Por vezes, mais vale guardar em segredo uma grande paixão do que expô-la aos lugares obscuros do mundo e perder a pouca força que mantinha os batimentos sincronizados do coração.

Novembro será, certamente, um mês mais enriquecedor, tanto musical como culturalmente, ao som da voz doce de Tallisker e com o lançamento de Heliotrop, já no dia 11.

 

Heliotrop:
01. Schiste
02. Cirrus
03. Astraea
04. Easter
05. Salanfe