And I keep on thinking it’s time to move on
Move out to the city so huge, meet me some people

Seems these old hills, they keep on calling
The clouds around here talk, man,
I’ve been listening
I sold all these clothes to buy me this land
Now I’m sort of happy, most of the time
Most of the time
Gregory Alan Isakov with the Colorado Symphony – “Liars”, 2016

Gregory Alan Isakov entrega-nos o single “Liars”, oferenda máxima do seu quarto álbum Music, partilhando baladas com a Colorado Symphony. Este wanderer, nascido na África do Sul e instalado agora no Colorado, fez crescer o seu alcance vocal acompanhado da guitarra acústica e abriu espaço para a orquestra sinfónica, que muito tem a dizer.

Em timbres nómadas, os ouvintes ora se sentem num bosque, a meio da tarde, ora são catapultados para um camarote virado para os palcos mais distintos. “Liars”, escrita por Ron Scott, amigo de Isakov, destapa a lista de canções renovadas. É inevitável, no tom de Gregory, recordarmos a sonância característica de Leonard Cohen, ainda em formato pupilo. Em entrega total, recebemos a voz e a guitarra, que subitamente se embrenham em cordas clássicas numa boda coerente com a alma de Isakov, através de um arranjo fora da visão expectável do folk e do indie.

O vocalista resgata músicas dos três álbuns prévios e coloca-as na centrifugadora. Espelho directo da sua experiência enquanto cidadão do mundo, com viagem atrás de viagem, e pegadas conhecedoras de muitos caminhos, a sonoridade multiplica-se em várias regiões geográficas e famílias de instrumentos muito diferenciados. Ao jeito das danças que Patrick Watson cria, de tempos em tempos, com os The Cinematic Orchestra, não colocamos de parte, ainda assim, a camisa de flanela aos quadrados, tal lenhador habitual, mas deixamos entrar outra luz, outra dimensão espacial e especial, devoradora de emoções susceptíveis à existência.

Do sossego dos seus recantos partindo à expansão para uma orquestra sinfónica, Isakov oferece novos contornos a músicas suas já existentes, como truques de ilusionismo entretanto actualizados. Este Verão prevê dar concertos lado a lado com várias orquestras norte-americanas, para além de conceber música para séries e anúncios televisivos, sempre que lho pedem. Da transição radical de acústica para uma versão dedicada aos sons elevados da orquestra, não deixa de dar espaço às melodias e aos versos, antes permite elevá-los, sem jamais perder o grau de intimidade a que sempre nos habitou. Nesta passagem da monogamia para a poligamia musical, em que, sozinho no quarto, vê aparecerem dezenas de músicos, Gregory brinca com a gravidade, moldando as suas músicas, tornando-as maleáveis, versáteis. Traz sons seus, guardados na sua herança quente e dirige a demanda pelo ruído mais acolhedor, que nunca cessa. Ainda bem que não desistiu de trajar, de novo, criações suas. Os ouvidos aplaudem. A Suitcase Town lançou Music já este mês.

Music terá uma edição-limitada (LP, CD e versão digital) com o seguinte alinhamento:
Liars
Dandelion Wine
Big Black Car
The Stable Song
Amsterdam Master & a Hound
Saint Valentine
That Sea, the Gambler Living Proof
If I Go, I’m Goin
Unwritable Girl