Não fosse por si só suficiente o nome Douglas Dare viver no mesmo palácio supremo de sons e transcendentalidade que é a Erased Tapes Records – abrigo e altar de alguns dos nomes mais importantes e incontornáveis da cena avant-gard, contemporânea, electrónica e clássica como os Kiasmos, Ólafur Arnalds, os A Winged Victory For The Sullen de Adam Bryanbaum Wiltzie e Dustin O’Halloran, Peter Broderick, Nils Frahm, Lubomyr Melnyk e o projecto de Ryan Lee West, os Rival Consoles, só para citar os mais orelhudos -, a sua obra, por mais curta que ainda seja, é ímpar.

Mesmo sendo colocado ainda bastantes vezes em injustas comparações dada a frescura que as pegadas profundas do músico britânico ainda carregam nos trilhos da nossa memória, Dare posiciona-se já entre uma elite de escritores de obras superiores, dramáticas, dramatizantes e, ainda que muitas vezes frágeis e cristalinas, de uma profundidade, personalidade e personalização abertas e desarmantes. Douglas Dare arrisca-se a ser assim um excelso companheiro de James Blake, de Antony, de Björk, das jóias escondidas de William Ryan Fritch, dos uivos e chilreares de Patrick Wolf e Andrew Bird, da fé santa no folk de todo o lado dos Beirut de Zach Condon. Mas Dare arrisca-se, acima de tudo, a ser uma personagem única e a encontrar e inventar para si um lugar muito próprio na dimensão da genialidade dos novos compositores especiais, daqueles que se querem só nossos, que se querem como o segredo mais bem guardado da nossa história secreta, que se revela como oferta apenas a algumas especiais pessoas.

Lê também: Entre verdade e ficção, Douglas Dare e ‘Aforger’

Três discos apenas no separam na génese editorial de Douglas Dare. O primordial EP Seven Hours de 2003 e os dois longa-duração Whelm de 2014 e o ainda muito recente Aforger de Outubro de 2016, todos eles com o selo da Erased, disco que faz o jovem prodígio britânico se revelar em palcos nacionais. A estreia está marcada para Maio, mais precisamente a 12 no imponente Theatro Circo em Braga depois de Dare ter já partilhado palcos com nomes como os Wild Beasts, FinkÓlafur Arnalds e Nils Frahm. No dia seguinte, o britânico actua no Centro de Artes Visuais em Coimbra, num concerto promovido pela Lugar Comum.

Para (re)descobrir o trabalho de Douglas Dare fica um vídeo gravado para a Red Bull e duas amostras do que se poderá esperar nas duas noite de Primavera em Braga e Coimbra. Dare pelas palavras e canções de Douglas.