A exumação da alma de Zola Jesus é feita através da dor e da morte. A norte-americana de origem russa marcou o seu regresso aos discos em junho passado com o soberbo single “Exhumed” que ganha agora uma narrativa visual própria. O arranque da canção dá imediatamente o salto para a densidade e a profundidade da sua natureza interior, elevando desde logo a sua carga dramática; depois, a pujança das precursões e da voz de Nka Rosa Danilova entrelaçam-se numa dança tribal como se fossem dominadas por uma tormenta. A canção decorre então de uma tensão tortuosa em busca da libertação do seu ser.

A deusa gótica fala sobre a escuridão que as pessoas carregam dentro de si e na incessante busca de um antídoto para a dor. A sinistra linguagem sonora é a condutora para o desprendimento das amarras das forças malignas que a assombram. Zola Jesus confessa que o processo de concepção do seu novo disco gira em torno da morte e da perda. A ideia consiste em refletir sobre como nos libertamos da dor da morte, da família ou de amigos, mas também fala sobre o fim das relações, sobre o que resta delas e sobre como se recupera de toda essa imensa dor.

A poderosíssima voz de Zola é estendida ao limite da sua capacidade e das suas forças, contributo essencial para o formato desta canção. É como se pretendesse levar até à exaustão a possibilidade de sentir tamanha mágoa, para permitir-se purgar e finalmente se libertar de forma a sair das sombras; como se tivesse que descer ao Inferno de Dante para regressar mais forte do que nunca.

O vídeo ficou ao cuidado de Jacqueline Castel, realizadora e colaboradora de longa data de Zola Jesus. Filmado num único dia, a autora pretendia captar a intensidade da luz do bosque em contraste com a sua sombra. O ambiente cénico deambula entre o terror da exumação do corpo e da alma, recorrendo por isso a técnicas de captação de imagem fortes e insinuantes capazes de exprimir ao mais alto nível as emoções da canção.

Retirado do próximo álbum Okovi, o tema descortina um pouco o que podemos esperar deste seu novo registo de originais. O disco chega às lojas a 8 de Setembro com a chancela da Sacred Bones. Também na mesma data, será editado o álbum Stridulum, que compreenderá os EPs Stridulum e Valusia – ambos originalmente lançados em 2010 -, juntando-os numa só edição.