O folk “documental” da neo zelandeza Nadia Reid fará este mês a sua estreia em solo nacional. A maturidade das suas composições, a profundidade das letras e uma voz que evoca espíritos do passado não fazem prever que estamos perante uma jovem compositora de 26 anos. A crítica é unânime em reconhecer que o universo da folk tradicional renasceu com sangue fresco de uma alma antiga. Songs are like musical photographs e, no caso de Nadia Reed, não existem programas de edição para embelezar ou modificar a sua necessidade de documentar a sua vida sob a forma de álbuns.

O seu último álbum Preservation, editado em 2016, servirá como ponto de partida para esta contadora de histórias que causou algum burburinho com o seu primeiro longa-duração Listen To Formation, Look For The Signs de 2014. Nadia Reid é detentora de uma voz límpida e suave como o trinado de um pássaro ferido a desfiar canções de amores perdidos, de abismos internos, de desilusões e de mágoas inerentes à difícil transição para a idade adulta, e Listen To Formation reflecte o assombro e o labirinto quase difícil de contemplar da dor que carregava e partilhou para o mundo com uma delicadeza e frescura vocal pouco comum.

Preservation, apesar de ter origem nas mesmas raízes de (des)orgânica pessoal, é quase um grito de esperança. Um move forward e de ruptura com as memórias do passado, um reescrever da(s) história(s) com um novo olhar e uma nova maturidade. Portugal fará parte de Reach My Destination, a digressão que passa pela Casa Independente em Lisboa no dia 21 deste mês e pelos Maus Hábitos no Porto dois dias mais tarde, a dia 23, e espera-se que Nadia Reid o sinta como tal.