Ben Chasny é, com alto grau de certeza, um dos heróis escondidos da folk, da música improvisada, da divagação drone, da fusão de universos sonoros e do psicadelismo que olha para as raízes da música, sendo um verdadeiro caminheiro solitário das estradas menos visitadas no que toca aos elementos que compõe todas essas referências. Se há alguém que nos últimos anos tem contribuído para o desenvolvimento da forma como se aborda a folk, Chasny e o seu principal veículo de composição, os Six Organs Of Admittance, estão decididamente na linha da frente.

Dezenas de edições espalhadas por uma miríade de editoras, entre as quais a Drag City, a Holy Mountain ou a Barnacle, tornam simples a tarefa de situar a localização precisa no tempo dos Six Organs, mas o desenvolvimento de texturas que entrelaçam muita da música tradicional norte-americana – comummente apelidada de ‘americana’ -, com sonoridades do lado oriental do globo terrestre e com elementos ritualistas e experimentais, permitem que se encontre facilmente o solo sagrado onde o músico californiano medita.

Chasny voltou este ano aos discos com Burning the Threshold, depois de em 2015 ter editado HexadicHexadic II, dois discos em que explorou um sistema de composição criado por si ao longo dos anos que permite aos músicos, principalmente aos guitarristas, quebrarem os métodos habituais e adoptarem uma nova forma de repensar a música de forma arbitrária, sem regras e sem controlo cerebral ou emocional. O sistema heráldico é baseado num jogo de cartas sobre o qual as novas composições vão crescendo e se desenvolvendo sem a interferência interna do músico. O processo de promoção dos discos incluiu a edição de um livro, um baralho de cartas e inúmeras palestras.

Com Burning the Threshold, Chasny volta ao rumo normal de composição e lança o seu disco mais leve, iluminado e doce dos quase 20 anos de carreira. Um disco que se arruma facilmente junto aos enormes For Octavio Paz de 2005, Dark Noontide de 2002 mas que dá a oportunidade às canções respirarem e deixarem o ar dos espaços abertos do mundo inteiro entrar nos tecidos humanos das canções dos Six Organs Of Admittance.

No ano em que a banda cruza a marca das duas décadas, Ben Chasny está de volta a Portugal para quatro datas e dois workshops: Ben toca no gnration em Braga e no Teatro Maria Matos em Lisboa nos dias 24 e 27 de Fevereiro. Os workshops decorrem nas vésperas dos concertos, tanto na capital como a norte, e será uma lição teórica e prática sobre o sistema de escrita musical Hexadic, numa valiosa oportunidade de mergulhar na mente criativa e original do músico norte-americano. A sessão de Lisboa é gratuita mas sujeita a marcação e a de Braga tem o valor de 10€.  A data de Braga conta ainda com o guitarrista português Luís Martins que editou este ano Tentos, Invenções e Encantamentos. A tour tem início em Coimbra no Salão Brazil a dia 22 e termina a dia 3 de Março no Teatro das Figuras em Faro.

Este é o vídeo para “Adoration Song” realizado por Elisa Ambrogio, colega de Chasny no catálogo da Drag City.