Considerado por alguns como um regresso às origens das quais se recupera parte do sentimento presente em Elephant Eyelash – álbum de estreia de 2005 -, e a sonoridade característica de Mumps, Etc. de 2012 embora com o universo hip hop alternativo ausente, os norte-americanos WHY? anunciaram um novo álbum que leva o título de Moh Lhean, e foi lançado no início do mês via Joyful Noise, depois de 4 anos de ausência.

De um nome que, aparentemente, nada significa ao álbum mais esperançoso, construtivo e até um pouco optimista alguma vez lançado pelos WHY?Moh Lhean nasceu no estúdio caseiro do vocalista Yoni Wolf onde não só foi quase todo produzido, como ainda teve direito a nome emprestado. Tendo tido como principal influência na escrita das canções um problema de saúde que Yoni terá enfrentado, fazendo-o dar mais valor à vida e às pequenas coisas que o rodeiam o disco é, no fundo, uma celebração. Um enfrentar de desafios e a troca de algo sombrio por algo pleno em luz, onde a eterna incógnita sobre a razão pela qual viemos aqui parar se mantém, não revelando a quietude e o equilíbrio que, talvez um dia, seremos capazes de alcançar.

O single “This Ole King” marca o início de uma jornada, onde os trejeitos electrónicos, a diversidade instrumental e os múltiplos arranjos e samples são explorados sem freio, havendo ainda lugar para faixas puramente instrumentais, como é o caso de “The Longing Is All”. “The Water”, um dos temas mais calmos do álbum no qual o destaque é dado, sobretudo, ao baixo e onde a sonoridade e o timbre vocal se distanciam das restantes faixas, marca o ponto de viragem e o momento em que, uma vez a salvo, Yoni tenta corrigir os erros do passado.

After the hospital we head to the shore
(…)
Me and my little brother
We don’t say shit for hours
Maybe even longer
I have tried in my ways
To make things right

 

 

O disco composto por 10 faixas conta, ainda, com duas colaborações. Em “Proactive Evolution”, onde participa Aaron Weiss dos MewithoutYou, reúnem-se ritmos e tempos diferentes e sobrepõem-se vozes que pertencem não só aos músicos que nela participam, como também a professores meditacionais e espirituais como Ram Dass e Sharon Salberg. E, não sendo isto suficiente, Yoni acrescentou, ainda, a voz dos médicos que o acompanharam.

 

 

Também “The Barely Blur” conta com uma participação extra, a de Son Lux, e é marcada pela entrada poderosa e expectante do piano ao qual se junta a voz mecânica e singular de Yoni, que fala do mistério que é a vida e se questiona sobre seu o propósito.

Forced to figure for ourselves
The barely blur beyond
What mad stork
Brought us, dropped us
With no schematic and no map
Where every perfect nest
Desintegrates

 

 

O sexto longa-duração dos WHY? é deleite de um percurso que visa descobrir e explorar o momento em que tudo aquilo que até ali é dado como certo se desmorona, pondo-se em causa o propósito da vida e dando asas às consequentes crises existências que daí advêm, ao mesmo tempo que se cultiva a necessidade de se fazer as pazes com o mundo.