Tal como acontece com os grandes amores, também as grandes músicas não exigem o timing perfeito para cumprirem o seu destino perpétuo. A cada regresso, Jay-Jay Johanson desencanta um condão mágico distinto que desfigura noções de tempo, legitima a perturbação de quaisquer graus de consciência e subverte a convencionalidade embutida na ordem das coisas.

Clássica e elegante, sem por isso deixar de ser extravagante e sombria, o tema-título do próximo EP de Johanson desenrola-se nos domínios de uma carta de amor sinistra lida num cenário tenebroso e cinematográfico em que a electrónica pulsante e misteriosa se encarrega de dar a aura majestoso, solene e densa. A calibração poderosa e trágica deste “Moonshine” abrilhanta a translucidez melancólica e a delicadeza atemporal com que Johanson impregna praticamente tudo em que toca. Com as bandas sonoras de Ennio Morricone e John Barry em mente, Johanson confessa:

The song tells a story of being in love with someone that might not be the best one for you, but sometimes you just can’t resist the choice of your heart.

 Moonshine EP, que será composto por dois temas originais e duas covers, revela todas as suas faces a 13 de Abril e antecede o longa-duração Opium que nos chega já em Junho.

rosana rocha sig

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globetrotter, infografista frustrada, seinfeldo-dependente, apreciadora de aviões, perfeccionista ocd e com vários títulos académicos em factos irrelevantes.

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