Duas faces da mesma moeda; cinema e música andaram sempre intrinsecamente ligados, desde os tempos em que pianistas eram contratados para colorir os filmes mudos do início do séc. XX. 2015 foi um ano de colheita abundante e de qualidade suprema em termos de bandas sonoras. E é fácil esquecermo-nos da importância que as mesma assumem na narração de uma história visionada. Em contagem decrescente e a poucas horas da consagração dos Oscars, a Tracker revela as suas escolhas e aquelas que foram as trilhas imperdíveis do ano que passou. De fora, deixámos as bandas sonoras de documentários musicais. Não seria uma competição justa, pois não?



Loin Des Hommes

Nick Cave não é novato nestas andanças das bandas sonoras – já conta com bem mais que duas mãos cheias delas – e desta feita junta-se novamente ao também Bad Seed e Grinderman Warren Ellis. Os dois australianos vão até à Argélia dos anos 50, cenário que junta dois homens de carácter bastante diferente em fuga pelas montanhas do Atlas. Hipnótica e quase binaural em determinados momentos, a trilha para o filme francês mostra um Nick Cave sob uma luz repleta de subtilezas e algo distante do seu registo habitual.


Many Beautiful Things

Outra coisa não se espera de um disco que leve o carimbo Sleeping At Last que não seja um verdadeiro bálsamo para a alma. E é precisamente isso que se ganha com a banda sonora de um filme que nos traz a história de Lilias Trotter, uma mulher que desafia a rigidez das normas sociais numa Inglaterra victoriana. Incontável a quantidade de coisas bonitas que se passam neste álbum e todas elas para serem contempladas, de preferência, fora to contexto do filme.


Lost River

Não se deixem enganar pela doçura dos sininhos do tema de abertura. Intensa, expansiva e galática, a imensidão aquática dos tecidos synth do disco que musica o filme realizado por Ryan Goslin é um mar de electrónicas ambient que nunca mais acaba. Um autêntico potenciador de sentidos e bastante semelhante à atmosfera etérea criada por Cliff Martinez em Drive, desta vez é Johnny Jewel e os seus Chromatics – com paticipação de Glass Candy -,  que assinam a composição. E, no que nos diz respeito, podem voltar a colaborar.

Sicario

Sem rodeios nem delongas, a banda sonora para o filme de Dennis Villeneuve com Benicio Del Toro e Emily Blunt é simplesmente brilhante. O que acaba por não surpreender, tendo em conta que é sir Jóhann Jóhannsson – que esteve já nomeado para um Óscar com a trilha sonora para The Theory Of Everything de 2014 -, ao autor desta peça musical. Tenso e claustrofóbico, Sicario emana uma poderosa aura tirânica ameaçadora dissipada lá mais para o final por uma camada apaziguadora de synths.




Manglehorn

O compositor David Wingo (Ola Podrida) e os Explosions In The Sky voltam a colaborar numa banda sonora após uma primeira experiência com Prince Avalanche em 2013. E o resultado é este belíssimo conjunto de temas que serve de fundo para Holly Hunter, Al Pacino, o seu gato e as sementes de um recomeço.