Retidos no gelo do Alaska desde 2013, altura em que nos deram os seus Evil Friends para a mão e no-los puseram bem instalados nos ouvidos, os Portugal. The Man pouca actividade tiveram nos quatro anos subsequentes, embora tenham reaparecido brevemente em finais de 2016 com o single “Noise Pollution”. Com novo álbum no horizonte, os norte-americanos voltam a estar no alcance dos radares discográficos e lançam o contagiante e absorvente “Feel It Still”, o primeiro single da nova era que vem acompanhado de um vídeo intrigante e misterioso repleto de pérolas escondidas.

I’m a rebel just for kicks.

A mensagem de “Feel it Still” tem endereço certo; as injustiças do mundo e a presença de Donald Trump na cena mundial, com artifícios visuais no vídeo. Se visto pelo Youtube, será um vídeo que prende pela sequência de imagens bem construída. Quando visto pelo site, os espectadores são convidados a caçar ferramentas de resistência – “Resist Toolkit” – espalhadas ao longo do vídeo. No final do vídeo interactivo, cada ponto marcado será apresentado, com os seus objectivos e links direcionados para diversas organizações.

Incitados assim pelos Portugal. The Man a encontrar “ovos da Páscoa” – as aspas tanto servem aqui para marcar a citação como a carga metafórica da expressão -, que visam encorajar um movimento de resistência, o desafio assenta num vídeo aparentemente leve mas com uma fortíssima carga política – encontram-se por aqui referências a uma linha directa para a Casa Branca, imagens de um jurista que explica os direitos legais dos manifestantes, mas há mais. Nas palavras de Jason Kreher, o realizador do vídeo:

We loved the idea of presenting the apathetic, decadent rebel just for kicks from the song against a hidden message of resistance… you know, like a ‘this is for the people out there who are still feeling something; here is a real, practical laundry list of ways you can get out there and fight injustice.

O próximo longa-duração levará o título de Woodstock – o título original era Gloomin + Doomin, mas após 3 anos de trabalho no disco os Portugal. The Man decidiram abandonar o projecto -, e pretende espelhar o ambiente político e cultural do presente. O próprio título visa relembrar as mentes mais “apáticas” que nos dias de hoje a música serve o mesmo propósito que na altura do festival em 1969: mais que simplesmente arte, a crítica social e política.