À semelhança do que tem acontecido de forma gradual nos últimos meses, ANOHNI volta a usar as suas páginas de Facebook e Youtube como mensageiros de um novo vídeo para Hopelessness. Este conjunto de vídeos, relatos visuais de cada um dos temas do disco e disponibilizados ao público, são os mesmos que vimos utilizados nas suas actuações ao vivo e precisamente aqueles que exibiu no Coliseu de Lisboa na sua visita a Portugal. Agora, foi a vez de “Marrow” receber tratamento visual. Desta feita, é Lorraine O’Grady, artista e crítica de arte norte-americana de 82 anos quem dá, de forma literal a cara, marcando os lábios com a acutilante letra de uma das mais aplaudidas faixas do disco. “Marrow”, que marca mais um capítulo desta vigorosa aventura, assinala o grande final do álbum composto de 11 músicas.

O’Grady é uma figura de culto no panorama de exploração cultural da construção de identidade, sobretudo se se atentar à posição da mulher negra, entre a hibridez e a diáspora e outras questões de estudo social. Através do pensamento pela arte, as suas observações têm sido, ao longo dos anos, controversas e bastante pertinentes. Com Lorraine, a recordação perpétua é a de que todos são humanos e a sua arte serve, precisamente, de lembrete para esse facto, tantas vezes esquecido.

ANOHNI sugere que, através desta figura incontornável, o público possa receber a letra de “Marrow”, a par da sua melodia, de forma mais completa e certeira, através do lip sync de Lorraine. Na sua página de Facebook, ANOHNI apresenta o vídeo com a seguinte afirmação:

Capitalism cares only for wealth extraction, from the earth and from its people. We are slaughtering the future. Only a wartime effort can save us now. Stand with the Water protectors in North Dakota. There is only one prayer left: save the earth.

É impossível pensar na obra de ANOHNI sem reflectir na sua voz constantemente activa e activista. Em todos os vídeos e composições musicais residem pedaços de um grito muito voraz que jamais se contenta. Esta referência ao estado do Dakota do Sul não poderia ser mais actual e ANOHNI serve-se da sua visibilidade para ocupar um posicionamento crítico e atento para com os públicos, nunca deixando de, através da música, dizer e comentar o que, na sua visão, vai de mal no Mundo.

In the countryside, under the streams

Suck the marrow out of her bonés
Inject me with chemotherapies
Suck the money out of her face

We are all Americans now

Africa, Iceland, Europe and Brazil
China, Thailand, India and Great Britain
Australia, Borneo and Nigeria

We are all americans now

Suck the oil out of her face
Burn her hair, boil her skin

We are all americans now.