Há canções que são verdadeiros monumentos, monumentos majestosos e magnificentes de paragem obrigatória para qualquer alma deste ou de outro planeta. Andrew Phillips e Marcus O’Dair são os brilhantes e eloquentes arquitectos por detrás das fundações de “Curlews”, um desses tais monumentos onde vão desaguar todos os caminhos e toda a beleza do mundo e que se ergue-se altivo, imponente e único na sua grandiosidade.

Oriundos de Brighton, os Grasscut assumem-se como landscapists, ou numa adaptação livre, modeladores de paisagens. E é pelas paisagens de pianos, violinos e violoncelos de “Curlews”, dos crescendos aveludados e das suas vozes suaves e cheias que trazem o resgate dos sentidos e o encantamento das caixinhas de música, que valem todas as noites mal dormidas, todas as caminhadas duras, a travessia do deserto sob sóis escaldantes ou os rastos longos e pesados das pegadas deixadas numa neve implacável, o peso da mochila nas costas e todas as peripécias inerentes a qualquer longa viagem. Uma paisagem sagrada, um monumento sagrado, num local também ele sagrado.

Primeiro avanço para o próximo álbum Everyone Was A Bird, com edição a 18 de Maio, “Curlews” terá direito a vídeo já nos próximos dias e vem acompanho pela igualmente deslumbrante “September Night Sky”.

rosana rocha sig