Cinco álbuns em menos de dez anos, alguns dos temas mais marcantes de uma geração de bandas alternativas, um frontman que não permite conceitos de indiferença. Os Wild Beasts arrancaram em 2002 na zona noroeste de Inglaterra para ganhar com alguma facilidade um papel muito particular na cena indie actual. Desde Limbo, Panto de 2008 até aquele que foi possível para muitos o disco essencial e o ponto máximo da carreira da banda de Kendal – Boy King lançado em 2016 -, os Wild Beasts não se ajeitaram ao som e a uma sonoridade muito própria de influências tão díspares como o cabaret, o funk, a electrónica oitentista, o tropicalismo, o r&b e o funk e mais uma série de categorizações que, se observadas ao microscópio, se encaixavam umas nas outras para criar um corpo único e dar movimento às canções peculiares dos Wild Beasts.

Os ingleses anunciam agora e de forma inesperada o final do caminho de meros desconhecidos até senhores absolutos do seu próprio reino. O rei subiu ao trono, e agora o rei renunciou ao trono. Esta manhã, a banda partilhou nas suas redes sociais um comunicado onde oficializava a sua partida. Ciosos e conscientes do legado que deixaram em boa parte das duas últimas décadas, os Wild Beasts decidem deixar intacta e superior a sua carreira.

We’re caretakers to something precious and don’t want to have it diminish as we move forward in our lives.

Em baixo podem acessar à carta de despedida completa onde os Beasts prometem ainda concertos de despedida. A celebração de um final de uma era ainda não tem datas marcadas mas espera-se então para breve o anúncio do farewell. Ainda ficará durante muito tempo o sabor da banda e da voz de Hayden Thorpe a dançar nas línguas. Para recordar aqui a passagem dos Wild Beasts pelo Jameson Urban Routes em 2016 e a review para Boy King, um dos expoentes máximos da banda em termos discográficos.