…how we can be so bored and unhappy in what is often a very privileged, contented life?” É a pergunta que chega como apresentação do agora oficializado novo álbum de Washed Out. Boa pergunta, não é? E acrescentamos nós: …e ter uma atitude inócua perante o descartável e o sem valor? Quem nos vai responder é Mister Mellow, o novo personagem criado por Ernest Greene.

A personagem principal do terceiro disco do produtor e compositor norte-americano que assina segundo o pseudónimo Washed Out vai reflectir sobre o estado actual da gerações contemporâneas onde o supérfluo é rei de um reino de apatia e descontentamento. O novo disco sai pela Stones Throw e é o primeiro registo fora da Sub Pop, indicador mais que significativo quanto ao rumo que Greene pretendeu dar à sua sonoridade e carreira.

“Get Lost”, o tema anteriormente revelado, afirmava-se como um afastamento das sonoridades paisagistas e digitalmente emotivas que até aqui eram marca perfeitamente inextinguível no som de Washed Out, e surge agora a confirmação que Greene aponta os beats para novos alvos. Ou seja, quem se sentar a bebericar um daiquiri e a pensar nos sentidos da vida à beira-mar plantados e esperar que as ondas do mar venham escritas nas mesmas pautas da chillwave de Within and Wihout de 2011 e de Paracosm de 2013, vai ter um valente desilusão. Mister Mellow sai a 30 de junho e avança para terrenos mais jazzísticos onde o hip-hop se vai encontrar com o house e o psicadelismo na busca do movimento dos corpos nos dancefloors e ainda assim debruçar-se sobre matérias pertinentes e reflectir com sentido de humor e ironia sobre temas actuais.

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A acompanhar o anúncio do lançamento do disco, sugiu um teaser vídeo perfeitamente cristalino quanto à temática narcótica sob a qual Mister Mellow vem dar voz. Comprimidos que caem do céu sobre a frase I’ve been daydreaming all my life e rostos artificialmente sorridentes não deixam muitas dúvidas. Para além do teaser, Washed Out lança também um novo tema que se chama “Hard To Say Goodbye” e que comprova na perfeição essa nova linguagem sonora aliada a ambientes mais relacionados com o jazz.

Mister Mellow é mais do que um disco e vem acompanhado por um DVD de animação que também ele se afasta dos componentes digitais da arte gráfica actual, socorrendo-se várias formas de expressão como a colagem, a animação manual de desenhos e de barro e a consequente captação em stop-motion. Ernest Green prepara assim a interrupção de quase quatro anos em termos registos de estúdio com uma obra fracturante com o seu passado que recupera exactamente um passado demasiado nostálgico e distante dos dias de publicações corridas nas redes sociais com fogueiras das vaidades modernas.