Como esquecer um dos álbuns mais intensos de 2016? Como esquecer as emoções derramadas ao escutar Blood Bitch, enquanto enriquecedora experiência intelectual? O quarto álbum da artista norueguesa foi recebido pelo público como estimulante e inovador e é verdade: faltava ao mundo algo assim, algo de experimental ao mesmo tempo que brilhante e vampiresco. Jenny Hval conseguiu mais uma vez surpreender tudo e todos. O álbum, composto a duas mãos pela própria e pelo músico Lasse Marhaug e lançado via Sacred Bones, retrata uma meditação sangrenta que nos eleva para lá da carne, para lá da obscuridade, para lá da vida mundana. E o ano de Jenny começa agora com novo vídeo.

Depois da divulgação dos vídeos para as faixas “Conceptual Romance” e “Female Vampire”, Hval completa a tríade com uma obra visual para o tema “The Great Undressing”. A cantora escandinava continua a explorar a sua sensualidade num universo de sedução com mais um supremo trabalho de reflexão e desconstrução do género feminino.

I don’t want to overcomplicate the message; it’s my opinion that the audience should interpret this film as it suits them. I will, however, tell you what inspired me to make the film. From an intellectual point of view I was intrigued by what would happen if you watched a naked woman totally ignorant about her own nudity going about a normal day. Would she be perceived as a sexual object? Or would her nakedness and femininity become something ordinary and natural? I have not tried to steer the film in the direction I thought was right, it´s more of an experiment that you should be the judge of. From a spiritual point of view the film explores loneliness and isolation in a world where capitalism and blending in are the two ruling factors.

O vídeo realizado por Marie Kristiansen retrata a rotina de uma mulher, Marte Germaine Christensen, que inicialmente surge na sua cama acompanhada por batatas fritas; nua e sempre nua aparecerá nos vários e restantes contextos sociais.

Like capitalism
It works like unrequited love that way
It never rests
Just like I need the love I’m not getting from you
And all the people in the world
Are between you and I in that way
And in the way of love.

Andar de bicicleta, festejar aniversários, ir às compra e fazer hidroginástica despojada de qualquer adorno, são estes os pratos principais deste vídeo, no qual as restantes personagens se encontram vestidas e sem se importarem com a nudez da actriz norueguesa. O corpo, a pele, o sangue e a feminilidade são utilizadas aqui como agulhas que ferem os olhos, que mais não fazem que provocar um despertar. Ousada e arrojada, Hval coloca a mulher como uma espécie de objecto que joga com a percepção individual.

Não esquecer que Jenny Hval pisa o chão do gnration em Braga no dia 30 de Abril e no dia seguinte no Lux Frágil em Lisboa inserido na BoCA – Biennial of Contemporary Arts. Cá a esperaremos ansiosamente.