No último 21 de abril, o público recebeu calorosamente Death Song, o quinto álbum dos The Black Angels, lançado pela Partisan Records. Mas um pouco antes disso, as notas consistentes de cunho denso e crítico já haviam trespassado os ouvidos atentos e os olhares ávidos com o lançamento dos singles “Currency“, “I’d Kill For Her” e “Half Believing“, prometendo um álbum diferente do que já se havia ouvido até então, como um indicativo de maturidade encorpada do rock’n roll psicadélico, marcado e robusto que ganhou corpo ao longo dos anos desde 2004 em Austin, Texas.

O lançamento em março de “I’d Kill For Her”, que viria a ser a segunda faixa do álbum, ganhou na altura um visualizer repleto de referências do período turbulento dos campos de guerra, dos soldados retornando para os seus lares e bailes de despedida, imersos numa mistura imagética black & white sugerindo a construção do binómio mulher/nação como perigoso, guias de caminhos tortuosos e até mortais, presentes como ícones que soam ora reais, ora simbólicos:

It was so brutal
The way she moved
The perfect sniper
One hundred proof.

Agora, a banda revelou o vídeo oficial para “I’d Kill for Her”, promovendo a quebra do paradigma da categorização do elemento “her” através de uma reprodução consolidada dos The Black Angels em cena, com referência ao trabalho de Bob Mustachio como produtor do vídeo e também responsável pela produção visual da banda em palco com o The Mustachio Light Show. Lida-se aqui com uma nova perspectiva visual, caleidoscópica e alucinantemente difusa (aos ouvidos e à mente) para a canção que é de embriagar os ouvidos, com dissonâncias vocais e riffs construídos em torno do verso,

It’s just a heart she’s stealing
It’s just a heart she’s given.

But who is she after all? Talvez a resposta se encontre para quem a ouve através de variados plays, variados momentos e visuais, assim despertando a personificação multifacetada do misterioso pronome feminino da música.

Com Death Song, que faz referência ao clássico dos The Velvet Underground “The Black Angel’s Death Song”, fica a impressão de que os The Black Angels não estão apenas a promover o seu quinto álbum, mas sim a afirmar o presságio de um trabalho meticulosamente desenhado ao longo de 13 anos que acaba de se consolidar. A banda inicia em setembro a Fall European Tour acompanhada dos A Place To Bury Strangers, e seguem com Ron Gallo no início de outubro para continuar a agenda de concertos pela América do Norte.