Os gigantes britânicos do post-punk The Fall anunciaram a sua passagem em Portugal na digressão de apresentação de New Fast Emerge, o novo álbum da banda, a ser lançado a 28 deste mês de julho. O concerto será essencialmente baseado na descoberta deste novo álbum que alinha o post-punk e a new-wave numa mesma esfera, mas ainda terá porventura espaço para resgatar alguns clássicos. New Fast Emerge é mais um álbum que se vem juntar aos outros 31 discos que constituem a discografia dos The Fall. Iniciada em 1976, a banda contou com demasiadas iterações para ser possível estimar-se um número certo, mas sempre esteve sob a liderança do seu vocalista e principal liricista, Mark E. Smith.

Atravessando 41 anos de carreira, os The Fall sofreram as modificações inerentes ao passar dos anos, dos membros e das editoras, mas sempre mantiveram uma postura e atitude de garra e agressividade, muito em sincronia com o seu líder. Apesar de qualificado e talentoso, Mark E. Smith tem fama de ser uma pessoa difícil com quem colaborar, rude e impiedoso no seu processo criativo musical, daí a constante troca de artistas que o acompanham. Os The Fall são um reflexo do estado de espírito de Smith e são, na verdade, o seu projeto pessoal, da mesma forma que Trent Reznor trata dos seus Nine Inch Nails, mas sem a amargura e o ressentimento com que Smith trata os seus antigos parceiros de digressão.

O post-punk dos The Fall é sobretudo instrumentalizado, onde o ritmo e a sonoridade são preferidos às letras que Smith vai sobrepondo, e caracteriza-se primordialmente pelo forte uso de guitarra e bateria – presentes na quasi-totalidade das músicas em toda a carreira da banda -, mas também em algumas experiências, sobretudo nos anos 90 e em anos mais recentes, onde a banda tem vindo a adotar aos poucos elementos eletrónicos, como é o caso do álbum Sub-Lingual Tablet de 2005, embora essa presença não seja particularmente enfatizada.

Embora se espraiem ao longo de quatro décadas, os The Fall nunca foram uma banda que realmente tenha conseguido chegar a atingir o mainstream, tratando-se mais de um caso de uma banda que se tornou de culto, com um conluio de fãs maioritariamente vindos do underground musical. No entanto, não deixou de se tornar, com o passar das décadas, num ponto de referência e influência para muitas bandas que conseguiram atingir patamares superiores de fama, como os Arctic Monkeys, Sonic Youth, Pavement, LCD Soundsystem, The Kills, entre muitos outros.

A primeira parte do espectáculo será assegurada pelos portugueses 10.000 Russos, que também se encontram atualmente em digressão – que já passou por Lisboa -, para apresentarem ao Norte do país o seu segundo álbum, Distress Distress, produzido pela editora inglesa Fuzz Club Records. Os bilhetes para o espetáculo custam €22 e estarão à venda em formato físico no Hard Club e nas lojas Piranha e Bunker Store. Para compras e reservas online, será necessário entrar em contacto com a promotora através do seu endereço de email. O concerto, único em Portugal, terá lugar no Hard Club, no Porto, e irá decorrer a 18 de Novembro.