Julianna volta, e com ela traz a “Nebula” de um tempo que não passou. Julianna tece no seu tear uma malha intrincada de histórias e memórias que se espraiam por ambos os lados do Atlântico e cujos tentáculos se estendem até aos dias de hoje. Seja sob a forma de Will, o próximo disco da norte-americana, construído nas incontáveis milhas entre Asheville, Carolina do Norte e Lisboa, seja na própria essência da Tracker, sonhada, vivida e concretizada nas incontáveis milhas entre Rio de Janeiro e… Lisboa.

Julianna Barwick estará sempre ligada à história da Tracker de forma muito especial. Foi nos seus loops etérios e na sua voz angelical que pela primeira vez a Tracker assistiu a um concerto enquanto tal, e simultaneamente Nepenthe seria o primeiro disco a merecer uma review na vossa mais que tudo no velhinho ano de 2013. A Tracker só nasceria efectivamente alguns meses depois, já em 2014, mas era aí que se desenhava o início de um sonho e de uma história de amor, in more ways than one.

E foi nessa viagem transatlântica em 2013, na de Julianna até ao nosso cantinho verdejante à beira-mar plantado e amais concretamente ao Teatro Maria Matos, que a história de Will se desenrolou. Foi “[in] a variety of locales, from a desolate house in upstate New York to the Moog Factory in Asheville, North Carolina to Lisbon, Portugal.” Uma história construída sobre pilares menos bonitos do que aqueles sobre as quais outras histórias se densenrolaram – e continuam diariamente a desenrolar. Como a própria confessa:

While making this record, there were moments of isolation and dark currents. I like exploring that, and I love when I come across songs that sound scary or ominous. I’ve always been curious about what goes into making a song that way.

Num aperto como um nó no coração, “Nebula” abre a porta a Will – que leva data de 6 de Maio – o próximo disco que inicia a sua viagem numa carruagem de um comboio de “St. Apolonia”.  Um sítio mágico e cósmico inspirado pelas viagens constantes e hipnoticamente ancorado nas cordas de Mas Ysa, (Thomas Arsenault), no violoncelo de Maarten Vos e Jamie Ingalls, o baterista dos Chairlift e dos Tanlines.

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globetrotter, infografista frustrada, seinfeldo-dependente, apreciadora de aviões, perfeccionista ocd e com vários títulos académicos em factos irrelevantes.

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