É mais um nome a actuar no Jameson Urban Routes e merecem, igualmente, que deles se fale por mérito próprio: chamam-se LIVE LOW, são portuenses e editam pela sempre recomendável Lovers & Lollypops. O quarteto – que conta nos seu alinhamento com Pedro Augusto, que um dia conhecemos enquanto Ghuna-X -, coloca-se bem próximo do cancioneiro português, mas não se alinha, necessariamente, nem prolonga, nessa tradição. Pelo menos de uma forma purista ou, até mesmo, puritana. Musicalmente bastante indefinidos, de limites evadidos para benefício da sua arte, têm uma componente electrónica bem presente, como o estão em igual forma a belíssima voz de Ece Canli, os drones meditativos, as percussões em fractura: todo o som é indomado e orgânico, e provavelmente não circunscrito ao formato de LP. O seu mais recente disco saiu este mês e leva o nome de Toada na lombada.

Há de tudo um pouco nesta autêntica orgia sonora. Invocações tribais logo a abrir em “Os Borracheiros”, faixa inaugural de Toada, profanada pelo contrastante murmúrio em alta frequência. Onde nos levam estes LIVE LOW? No imediato a “Virtudes”, que nos dá instrumentos de cordas mas nem por isso uma orientação mais fidedigna. Há tanto no que se mostra e assume como no que ficou por revelar nos entretantos da canção. Todo o momento é oportuno ao barulho, seja esse dissonante ou apaziguador. A harmonia não é mais prazerosa que o som. Depois, faixas como “O Sol” ou “Lembra-me Um Sonho Lindo” (original de Fausto), por entre os seus silêncios e murmúrios, invocam o mencionado cancioneiro e dão-lhe outras perspectivas – vidas que a música, remetida aos contornos do seu original, não ousara ter em si. São ora momentos cantados, ora apenas sugeridos.

De facto, muito pouco acrescentamos ao saber depois de terminada a Toada. A música é como ao toque seria uma parede rugosa, sem nenhum ponto para cravar os dedos e agarrar. Vem-nos sensual e sensorial, desconfortável mas aceitável como companhia. O objecto sem objectivo, à explicação abjecto. Mais nele se revelará ao vivo. Por isso, que não se passe ao lado dos LIVE LOW na apropriada companhia de Bloom (JP Simões).