Os Dead Can Dance, projecto mítico de Brendan Perry e Lisa Gerrard, é um daqueles grupos que, intemporal e impreterivelmente, merece as mais louvadas cortesias. Não é novidade para ninguém que os acompanhe com alguma atenção, a presença do fascínio com a cultura greco-latina na qual os clássicos, nos pensamentos, actos e palavras, estão inseridos na obra discográfica por um fio de enorme elegância e através de majestosas homenagens sonoras e líricas.

Em nome de toda esta linha de modus operandi musical, entre o místico, o épico, o world music, o post-punk ou o alternativo, e bebendo ainda dos cálices dos bardos dos mitos mais insólitos, surge “Eleusis”, ária homónima da cidade grega que tinha em mãos a candidatura a Capital Europeia da Cultura para 2021 – que entretanto acabou por vencer. Em jeito de celebração e consagração, sem fins lucrativos, os Dead Can Dance delinearam a trova através dos contornos históricos, sociais e humanos da própria cidade. No vídeo que a acompanha, observam-se detalhes da cidade de Eleusis, com os seus vários bairros e ruas, enobrecendo ainda mais o lema da candidatura – Transition to Euphoria. A acompanhar os múltiplos trechos de “Eleusis”, o vídeo inclui ainda imagens aéreas da cidade. Um enorme mar azul entrelaça-se com os habitantes de Eleusis, os seus artistas locais, as suas crianças, a sua vida ao mais ínfimo pormenor: os edifícios, as ruínas, as estátuas, os jogos, as danças, os novos e os velhos, os barcos, as paisagens entre o natural e o urbano juntos numa ode que, em todas as direcções, reflecte um hino de felicidade e júbilo.

Não existiria banda mais adequada para tamanha tarefa. Sem desilusões, e na sua linha habitual, em que qualquer ruído que componham pareceria extraído de uma banda-sonora transcendental, os Dead Can Dance testemunham de novo a sua imortalidade. Num chamamento para casa, para a casa de todos e qualquer um, a voz embrenha-se nos mil olhares do vídeo.

Neste sentido, a letra entoada por Brendan Perry, viaja pelas raízes ancestrais da cidade na Grécia Antiga, onde se realizavam rituais de iniciação ao culto das deusas Deméter e Perséfone. Muitos séculos passados e os encantos da cidade para sempre cristalizados na música, na qual, com toda a euforia, os gregos de antes e os de agora poderão para sempre saudar:

Oh come calmly
Over the ocean I beckon to thee
I blow seeds of love to be
Born of my heart
Sown on the breeze

All I fondly know
Pales upon sails of your sweet gentle flow
How our love will grow
Crowned upon swans
Calling home

The love you hide inside
Has nowhere to run and nowhere to hide
I can see it in your eyes
Your empty hearts and your wasted lives

All I fondly know
Pales upon sails of your sweet gentle flow
How our love will grow
Crowned upon swans
Calling home