AAN - Amor Ad Nauseum
90%Overall Score

aan1Aan apresenta Amor ad Nauseum, e talvez tenham razão. Aqui, nesta náusea, não há muita coisa de novo ou inovador, não há uma cura. Há um nome estranho e uma convergência de objetivos. Aqui existe um grupo de pessoas que se juntam para pôr algo de pé. Gente que pensa o mesmo em prol de um resultado. E que trabalha para isso; ou seja, se as startups fossem música, esta banda seria uma startup: não sendo inovadora, é consistente e recria um produto de máxima utilidade; não sendo exuberante, relembra que precisamos de algo assim, pois cria ambiente e fá-lo confortavelmente. Mesmo não ligando muito ao que se está a ouvir, sente-se a sua presença… Uma banda amiga do ambiente e amiga do utilizador que merece atenção, sobretudo se lhe juntarmos o elemento cinematográfico. Uma boa banda para fazer bandas sonoras, uma banda que ao vivo consegue criar impacto (se tudo isto que foi dito tiver uma boa razão) mas que terá que se recriar sempre por cada álbum que fizer, pois poderá passar a ser música de elevador. E se a música de elevador for um dia assim, será música de qualidade, o que também não trará mal ao mundo.

Aan em Amor ad Nauseum usa electrónica e voz limpa, usa intros longas que nos tentam seduzir. Não é cabaret nem bordel sofisticado, é contemplativo (por vezes demais) e vêm de Portland, Oregon. Falam de amor e luxúria – a capa ilustra bem o álbum (um cão bem tratado e que requer bom tratamento para assumir boa forma que está cravado de espinhos). Os Aan representam neste álbum essa estranheza do ser (não morde, mas é difícil fazer-lhe festas) e começando pelo seu nome estranho (o amor apanhou náusea) isto atira-nos para um sítio estranho, mas não desconhecido, não perdido no espaço, porque conseguimos controlar as reacções e conseguimos pensar e conversar, embora embalados por uma sensação estranha. Nunca ficamos maldispostos mas podemos ficar enjoados q.b. para termos que ir apanhar um bocado de ar, só para refrescar a cara. O amor apanhou náusea, mas isso passa, e passa sem grandes “drunfos”, sem entrar em depressão e sobretudo sem rancor ou arrependimento, pois se é náusea, não é doença e isso é óptimo.

Aan não sendo cura, é companhia que ajuda a passar a má disposição. Amor ad Nauseum tem muita câmara lenta em HD e cenários vastos com poucas personagens bem apetrechadas em cena, tem créditos, story board e guião e tem bastante trabalho de pré-produção e produção; é arquitetura, mas não engenharia; faz lembrar outras bandas, mas é uma ideia própria, com textura, com consistência, mas sem engenho suficiente para nos tornarmos viciados e querer muito mais do mesmo. Até porque, quando o amor apanha náusea, é algo que acontece, mas que não se quer apanhar sempre… o problema não é o amor… o problema é a náusea… porque é uma coisa enjoativa e cansativa. Aan é comprimido que não nos faz azia e ajuda-nos no equilíbrio, logo, não é confuso nem inteligível. São pés na Terra que falam de desespero, solidão, desejo, compaixão, tendo sempre em atenção o trânsito e é por isso que o ouvinte é transportado com cinto de segurança e confortavelmente instalado… uma viagem segura propõem os Aan em Amor ad Nauseum… enfim… as vantagens de um álbum de estreia são estas mesmas, ainda ninguém conhece e quando a estreia é consistente é porque o trabalho foi bem dirigido e daí tudo para a frente pode ser melhor, pois a fasquia foi já colocada – pelos próprios – e abaixo dessa fasquia correm o risco de perder a náusea e o amor… ou não.