ACollective - Pangaea
60%Overall Score

Um pouco mais do que quarenta minutos sempre a prometer muito, mas a não passar da loucura da moda e sem liberdade de movimentos. Como se estivéssemos a ouvi-lo na sala de espera do dentista. Não obstante, a loucura somos todos nós e, portanto, cada um vive-a conforme pode; de manhã, à tarde ou durante a noite. Numa postura de “amanhã já não estou cá”, Pangaea vive-se aos altos e baixos, nos momentos perfeitos e nos rápidos, nos loucos – lá está ela outra vez – e nos sãos. Um refrão sonante, por ser singular, ou porque é realmente sonante, não traz a liberdade com ele, mas também não a caduca.

Acollective, contínuo, musical, colectivo e íntimo naqueles dias, é realmente fiel ao tom cinzento da loucura controlada. Uma calmaria que não se compreende, mas que se quer politicamente correcta. Desequilíbrios ou faltas, desabafos demasiado pessoais, pouco perceptíveis ou incrivelmente raros, onde se tem a dificuldade da compaixão das massas. Perfeito, mas no local errado, num tempo passado ou num futuro ainda distante, um crescendo que não cresce numa linha horizontal que não progride. Ainda que esta perfeição entre sob descontrolo total à procura do novo, não repetido, é demasiada forçada, como quem quer pertencer ao grupo à força sem ser efectivamente feliz nem ser ele próprio. Aqui e ali, o saudoso rock belga mais independente, mas sempre sem explosão, sempre controlado, censurado, sem destoar do grupo. Por outro lado, a mensagem é simples e tão bem dirigida. Mata o monstro pelo interior por cima da montanha, o coração bate mais depressa, apertado pelo vestido, ainda só gostava de voltar para casa, digo qualquer coisa, eu sei, para quê me preocupar com o que tu és; eu disse-te, eu disse-te, senso comum em corações mortos, sem poder, no beco rápido ou na possessão lenta, lembranças fotográficas de infância; é melhor correr, é melhor falar, é melhor viver ou então fecha-te à chave e fica-te.

Acabam por ficar um par delas na cabeça, vontade de as cortar fora desta Pangaea e formar um continente mais pequeno ou um país maior, sempre na esperança de uma loucura maior ou de uma vivência mais intensa, com medo de perder o comboio que nos leva a lugar nenhum. Entra devagar, entranha-se com esforço, perde-se na multidão louca e nas modas do dia.