Punk literato e polido, post-punk de raiva em punho e pena, poesia e confissões. Herdeiros de uma longa linhagem de outcasts e pregadores como Cave, Shane McGowan dos Pogues ou Eugene Edwards dos Wovenhand e 16 Horsepower, e de romancistas e poetas como Baudelaire, Miller, Peter Shaffer e Mishima, os Iceage definem-se como poucas bandas contemporâneas a viver entre mundos sombrios mas absurdamente concretos onde em todos eles a palavra é essencial e primordial.

Desde 2009 – ano em que os Iceage lançavam o EP de estreia homónimo -, que o cocktail vicioso dos post-punkers de Copenhaga se vem bebendo por entre bafos de cigarros e de poesia em cantos escuros de pubs escuros em torno de momentos escuros de tristeza e raiva asfixiante, de prazer e excesso, desejo e saudade. Riff sobre riff, estrofe sobre estrofe daquele que será com certeza um dos poetas malditos mais estimulantes do tempo presente, as palavras e a música do quarteto têm-se vindo a construir mutuamente ao longo do processo de crescimento e fermentação dos vapores etílicos com que Elias, Johan Surrballe Wieth, Dan Kjær Nielsen e Jakob Tvilling Pless – todos amigos de infância – desenharam os três longa-duração da banda.

O púlpito está agora mais que pronto para Elias Bender Rønnenfelt voltar a pregar com a voz da congregação maldita e urbana dos Iceage. É já em Maio que a banda dinamarquesa lança o quarto álbum de uma discografia interrompida em 2014 para ver o seu líder dedicar-se aos dois registos iniciais dos Marching Church. A New Brigade de 2011, You’re Nothing de 2013 e Plowing Into the Field of Love, o conjunto de salmos finais antes da partida para terras dos Marching, junta-se agora na sequência temporal de lançamentos, que tem em Beyondless o seu próximo capítulo.

Praying at the altar of your legs and feet
Your saliva is a drug so bittersweet
I’ll arrogate what’s there to take.
In an evanescent embrace.

A banda está agora de volta a Portugal, depois das passagens pelo Vodafone Paredes de Coura em 2013 e 2015, e pelo meio o Entremuralhas em 2014, para um concerto no Hard Club, no dia 26 de Outubro, actuando no dia seguinte no Jameson Urban Routes, no Musicbox, festival em que são a primeira banda confirmada. A data faz parte de uma extensa tour que começa esta noite em Nova Iorque com uma residência de quatro dias que se deslocará, a partir de dia 29, para Los Angeles durante mais três dias. A digressão atravessa depois o Pacífico, com os Iceage a tocar em  Quioto e Tóquio nos primeiros dias de Abril. A tour oficial começa depois em Maio com mais um conjunto de datas na Europa e América do Norte.

Beyondless sai a 4 de Maio pela Matador e do discos são já conhecidas “Catch It” e “Painkiller“, um tema com a colaboração de Sky Ferreira, para além de “Take It All“, lançada hoje mesmo. Os bilhetes para o concerto do Porto estão já à venda nos locais habituais com o custo de 17€.

Iceage Tour

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