Alice Boman - EP II
75%Overall Score

Malmö, Suécia, Boman, uma cabine na floresta (Justin Vernon style?) e toda a simplicidade de arranjos suaves e fantasmagóricos. Uma silhueta que se arrasta nas sombras brancas da neve nórdica, a neve que se aloja principalmente nos cantos mais pesados da alma.

“What”… há um piano que faz perguntas. O que vês quando olhas para mim? Quantas vezes todos nós não fizemos esta mesma pergunta ao objecto amado. Por incerteza do outro ou pela mera curiosidade talvez quase mórbida de nos vermos pelos olhos de alguém. A fragilidade das incertezas do Eu é uma questão recorrente ao longo das seis faixas de EP II.

Seria fácil entrar no jogo das comparações aos Choir Of The Young, Deptford Goth e, claro, a Bon Iver ou Volcano Choir, mas Alice é senhora de algo mais que um efeito copy/paste das suas influências. Aliás, aposta-se que Miss Boman bebe mais do copo de Nina Simone do que das Au Revoir Simone. Bebe mais do copo dos desesperos amorosos isolacionistas do que das paixões citadinas. “It’s not over till it’s over”, canta-se em repeat sobre as teclas do piano sintetizado em “Over”. “…it burns now you are gone and I am done”, é “Burn”, onde a simplicidade das faixas anteriores é ligeiramente mais pintada de outras cores com arranjos de sopros pesadíssimos.

Finalmente, em “Be Mine”, abre-se caminho para a segunda parte do EP. Se nos três primeiros temas a tristeza desoladora era mãe, nos restantes há uma espécie de alegria contida e doce nas palavras, que será com certeza o derradeiro esforço inglório antes do fim, mas que de alguma forma é um consolo e um vislumbre de luz e esperança. Nas palavras, porque no som das teclas a neve e a floresta não deixam espaço a grandes alegrias ou manifestações de esperança.

“Don’t Know Where I’m Going But I’m Not Alone” é uma boa frase para espelhar este EP da escandinava, o sucessor de Skisser do ano passado. Canções sobre o Eu, em relação a uma dependência emocionalmente fatídica que na verdade nunca o é, vistas dos dois lados do espectro. A luz e a sombra do amor que onde quer que vás nunca te deixa ir sozinho… mesmo que o caminho seja feito na mais desoladora solidão.