Damon McMahon carrega na voz toda uma década (ou duas) de psicadelismo melancólico e nostálgico como se embalasse, em plena época de paz e amor, os finais da década de 60 e inícios de 70 all over again em tons sóbrios e esfumados e sem os salamaleques tipicamente hippies da altura.

O seu timbre impertinente e a forma trémula e confrontacional como canta – que lembra tantas vezes um Michael Hutchence mesclado com Mick Jagger -, e as construções sonoras que lhes edifica em redor, fazem do regresso de Amen Dunes, o pseudónimo sob o qual Damon assina as suas partituras, uma ode a uma irreverência de brisas retro, devedoras a uma América que muito dançou e muito amou ao som dos The Rolling Stones.

O nova-iorquino tem novo registo de estúdio pronto a rodopiar nos caleidoscópios sonoros de eleição no final do mês, e dele partilha mais um tema, o terceiro para o disco. “Believe”, que sucede aos anteriores “Miki Dora” e “Blue Rose”, alinha-se num tempo em que Woodstock ainda existe, num tempo em que ainda se luta com acções e convicção contra a guerra, num tempo em que ainda se acredita no futuro da humanidade e se sonha realisticamente por um mundo melhor.

Amen Dunes edita Freedom a 30 de Março pela Sacred Bones Records, numa altura em que tem já bilhete de avião aviado para o Porto como parte do cartaz do NOS Primavera Sound ’18, subindo ao palco a 8 de Julho. As flores no cabelo irão ficar especialmente bem neste concerto.