Antemasque - Antemasque
80%Overall Score

Este é o regresso aguardado pelos fãs de At The Drive In (ATDI) e The Mars Volta (TMV). Simplesmente porque desde o fim da segunda que Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala estavam de costas voltadas e tudo pareceu acabar de uma forma anticlimática. Mas sejamos sinceros; a verdade é que estes dois funcionam na perfeição quando juntos e não individualmente (é ouvir os projectos paralelos de ambos e tirar as próprias conclusões).

De volta ao álbum de estreia desta nova banda, o homónimo Antemasque. É sabido que existe uma relação muito próxima entre os dois músicos já mencionados e os Red Hot Chili Peppers (RHCP). O John Frusciante tocou guitarra em todos os álbuns de TMV, com a excepção do último, e o Flea compôs e gravou baixo no primeiro. Já para não mencionar as duas tours de RHCP em que os TMV foram banda de abertura, e o álbum em parceria de Omar com Frusciante. Por isso, Flea foi chamado de novo para compor e gravar baixo para este novo projecto.

Mas desenganem-se aqueles que pensam que Antemasque é uma repetição da fórmula ATDI/TMV. Aqui está a prova do pluralismo musical destes dois mestres da composição. Antemasque é um álbum muito mais direccionado comercialmente. Muito mais melódico e “orelhudo”. Muito menos prog/noise/freak out. Todas as composições rondam os três minutos e meio, o padrão rádio pop/rock. Mas, apesar de tudo, as músicas são inspiradíssimas e não há um facilitismo forçado. Antes pelo contrário; existe uma aproximação mais melódica, sim, mas não deixa de haver complexidade na estrutura das canções. Existem compassos estranhos, tempos diferentes, mudanças de tom súbitas, mas principalmente aquilo que sempre caracterizou Omar Rodríguez-López enquanto guitarrista: uma abordagem extremamente rica e criativa ao seu instrumento. Acordes cheios e dissonantes, que por algum motivo se tornam melódicos aos nossos ouvidos. Dedilhados e leads completamente fora do padrão estabelecido do guitarrista rock. E é claro um uso de efeitos que fazem a guitarra soar um instrumento doutro mundo. A abordagem de Cedric à voz também está bastante diferente. Não há a berraria exacerbada de ATDI ou os agudos quase ultrassónicos de TMV. Cedric está muito mais contido, faz melodias vocais cativantes e ronda ali o meio registo, algo que é muito mais aceitável a todos. Inteligente jogada comercial.

Resta falar da secção rítmica, começando pelo Flea, que faz o seu trabalho como o verdadeiro profissional que é. Não se encontra nada que possa fazer lembrar o seu trabalho em RHCP. Segue o que a música pede, sem linhas alucinadas de tecnicismo e funk, e até o seu som de baixo é muito diferente daquele que usa em RHCP. O baterista David Elitch é o mesmo que já trabalhou com TMV, por isso está em casa, com uma bateria técnica que cola perfeitamente com o baixo.

No geral, Antemasque é um álbum muito bem conseguido, de mais fácil audição para quem não gosta muito de ATDI ou TMV, mas que mantém uma identidade própria e uma falsa simplicidade que na realidade é um jogo de como fazer algo complicado soar radio friendly. Destaco os quatro singles “4AM”, “In The Lurch”, “Drown All Your Witches” e “People Forget”.