Podem haver muitas festas, mas festa onde há um coreto deixa sempre outro sabor na memória. No NOS Alive há um desde 2013 e nesta pequena ilha têm parado maioritariamente, e quase em exclusivo, alguns dos nomes mais interessantes e estimulantes da nova cena portuguesa. GalgoCave StoryLes Crazy Coconuts, D’Alva, Beautify Junkyards ou Throes + The Shine já foram a banda mais bonita do Coreto, e este ano ele é entregue nas mãos da Arruada para uma curadoria que deve ficar desde já marcada como essencial nos roteiros da edição décima primeira do festival lisboeta. Ora vejamos…

O primeiro dos dias da programação do Palco Coreto fica entregue nas mãos de Branko, um dos homens do leme dos Buraka Som Sistema, e do seu programa Enchufada na Zona transmitido na rádio NTS em Inglaterra. Por lá vão passar a bass music de RIOT, outro BSS, o produtor KKing Kong, o bass tropical de Rastronaut, o DJ e produtor francês IZem e o Afro House/Global Club Music de Dotorado Pro. Um dia para ler o mapa mundi traduzido em linguagens electrónicas reforçando o legado e o trabalho da Enchufada no cruzamento expansivo das raízes musicais de um globo rico em matéria prima sonora com as electrónicas.

No dia 07 de julho o Coreto é regido por Vénus, e um alinhamento completamente no feminino é a escolha da Arruada para um outro olhar sobre a música que se faz por cá ou com sangue português estabelecido noutras partes do globo. Cinco vozes, cinco formas absolutamente distintas de abordar a escrita de canções: a transfiguração do hip-hop de Fábia Maia para o formato viola e palavras, a tensão moody e levemente psych de Calcutá, o folk das irmãs Falcão das Golden Slumber, e as canções pop electrónica de elite tanto de Lince como de Mai Kino, a portuguesa sediada em Londres que começa a dar nas vistas na capital da música europeia.

No último dos dias, 08 de julho, inverte-se o género e os rapazes tomam conta da festa com o mesmo sentido de sobriedade, maturidade e risco que nos dias anteriores. A Arruada mostra aqui com quantos nomes se faz uma festa que já vai muito além da aldeia: Portugal é global. O Auto Rádio de Benjamin começa já a sintonizar-se no ano de 1986 e no disco com Barnaby Keen mas ainda dá para acompanhar uma roadtrip com Duquesa até ao seu Norte Litoral… ou, neste caso, a bem perto do Tejo, o sítio perfeito para a pop psicadélica de histórias comuns e da Vida Salgada de Filipe Sambado. Uma paragem obrigatória para quem gosta de canções e poemas.

Mas muito além da mera melodia se faz a selecção masculina da Arruada para o Coreto. Filho da Mãe já dispensa apresentações; a sua leitura experimental sobre a guitarra e a portugalidade são um dos marcos maiores da nova geração de músicos nacionais. Obrigatório? Sim! Em criolo de Cabo-Verde vai cair um furação no Coreto. O furacão chama-se Scúru Fitchádu e mete no mesmo caldeirão noise, funaná, punk e industrial. A banda tem os pés em Almada e a criatividade em África e nos ambientes europeus underground pesados e sujos. A revista Afropunk já lhes meteu a vista em cima e recomenda. Esta é a possibilidade de ver os Scúru Fitchádu antes que o mundo os leve para todo o lado.

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