Como sabemos, os Bon Iver ofereceram ao mundo, na passada sexta-feira 30 de setembro, o seu longo labor de cinco anos 22, A Million que emergiu da conturbação emocional de Justin Vernon, não fosse ele um lenhador sensível.

Dos fins do amor a que se seguem metamorfoses, em florestas do Wisconsin, o novo álbum traz pinceladas sonoras novas, não perdendo o cheiro a emoção e a madeira que tanto nos escasseou. Mas desde sexta-feira estes laboriosos artesãos não têm posto travão às rodas dentadas da criatividade. Logo a abrir, as festas dedicadas ao lançamento do álbum acontecem com rádios à moda antiga a tocar cassetes, acompanhados de um pequeno jornal dedicado ao acontecimento que entretanto se tornou raridade desejada.  Se o build-up do álbum foi já envolto em mistérios iniciáticos, a sua revelação continua a abrir sentidos aos títulos crípticos ou ao artwork, qual totem de civilização perdida.

Os vídeos, todos eles fazendo da letra sustento da imagem, sucedem-se dia após dia, fórmulas químicas, e não menos naturais por isso, vindas das mãos de Aaron Anderson & Eric Timothy Carlson.”715 – CR∑∑KS” chegou sexta-feira com as palavras  a descer qual escrita em directo num qualquer chat, “29 #Strafford APTS” e  “666 ʇ” inauguram Outubro entre camadas de imagens poeticamente digitais, ou simbolismo numérico a prometer revelações a beira de palavras perdidas em atmosferas sensíveis. “21 M◊◊N WATER.” continua esta torrente com um fundo azul onde as palavras brancas se erguem, mais ou menos incertas.

Entretanto, vão chegando notícias que nos deixam em ânsias premonitórias – em Berlim Justin Vernon, a próposito do Michelberger Music, improvisou com os criadores de um novo instrumento muito presente em 22, A Million – o OP-1 Portable Synthesizer – numa jam de techno e house, onde esteve ainda presente o rapper britânico Trim.

Abrem-se novos caminhos na floresta, e por cá vamos sentido o frémito da aventura.