Enquanto de um lado da linha do Equador se tenta a todo o custo adiar o inevitável, do outro antecipa-se impacientemente aquilo que ainda não veio e é uma incógnita quando estará para vir. Ao mesmo tempo que se queimam no hemisfério sul os últimos cartuchos do verão com uma concentração de festivais per capita que só não é problemática porque espaço é coisa que não falta nos gigantes países do continente americano, já o público festivaleiro do hemisfério norte se inquieta com o aproximar da chegada dos festivais ditos de verão, designação errónea que se aplica a qualquer festival que se espraie um pouco por todos os meses do calendário. Não sendo o primeiro de todos os festivais, o 6 Music Festival, festival itinerante da 6 Music da BBC – estação de rádio que emite apenas em plataformas digitais – é, certamente, o que dá o maior kick no que respeita à inauguração oficial da temporada de festivais que se propagarão durante os próximos meses em qualquer canto do mundo desde que arrumado acima da linha do Equador.

Ao contrário das edições antecessoras que desde a data de fundação em 2014 – encabeçada por Damn Albarn num evento que teve lugar na cidade de Manchester -, que têm dado música sempre em Fevereiro, a edição de 2017 foi deslocada para o último fim-de-semana de Março muito provavelmente por ter sido arrumada na Escócia, não evitando assim o uso das galochas mas talvez permitindo amenizar as condições atmosféricas mais gélidas que a maior parte das vezes não encontram correspondência no decorrer do desfilar dos artistas pelos palcos. Coachella pode muito bem continuar a ser a bitola pela qual se metem todos os outros festivais, mas o 6 Music Festival parece apostado em desafiar essa premissa com os excelentes cartazes que tem vindo a apresentar. Enquanto os The Strokes encerravam no Autódromo de Interlagos em São Paulo a versão brasileira do Lollapalooza pela qual já tinham passado os The xx, Cage The Elephant, Glass Animals ou Two Door Cinema Club mais a norte a cidade de Glasgow recebia Warpaint, BononoThe Shins, Future Islands, Father John Misty e Depeche Mode.

1 2

About The Author

globetrotter, infografista frustrada, seinfeldo-dependente, apreciadora de aviões, perfeccionista ocd e com vários títulos académicos em factos irrelevantes.

Related Posts