O interesse por bandas como Black Sabbath, The Brian Jonestown Massacre e Pale Saints revelou-se como o catalisador por detrás do nascimento dos Novella que se tornaram numa espécie de apologia à contracultura da década de 60. 2014 foi o ano que viu solidificar a banda num motor de propulsão capaz de produzir ondas de energia de psicadelismo cósmico e rajadas de uma dreampop excêntrica e pouco comum, tudo muito bem soldado em descargas oscilantes de electricidade intravenosa.

E é isso que podemos esperar de Land. Assumindo o compromisso de se exibir como um desfile de choques eléctricos em ambiente controlado e uma tempestade implacável de ritmos e vozes cristalinas, o álbum de estreia dos Novella leva-nos sem destino no olho do furação a 11 de Maio via Sinderlyn. Disponível está já o single de apresentação “Land Gone”, que confere um toque de crueldade e perversão à detonação desta verdadeira bomba psicadélica.

Gravado durante um fim-de-semana gelado em Janeiro de 2014 com Jones Verijnen (Moon Duo, Ballet School) e Joshua Third (The Horrors) numa fábrica de roupa abandonada que inusitadamente se transformou em estúdio, Land absorve de forma genuína a vasta gama de influências dos membros da banda e transforma-as em canções que combinam a melancolia londrina com um escapismo espacial. A clareza vítrea das vozes femininas, a lembrar uma shoegaze quase lynchiana, habita frequentemente os ecos misteriosos de psicadélica evidentes numa miríade de flautas, sintetizadores e guitarras eléctricas numa colecção de novelas nocturnas criadas com recursos a peças de puzzles de décadas passadas.

rosana rocha sig