Poucos cantam o coração da América – aquela América sonolenta e lânguida das pick-ups, dos rolos de feno e dos postos de combustível do pós-guerra cobertos de ferrugem, das linhas rectas de estradas intermináveis que rasgam paisagens de infindáveis campos de amendoins, dos comboios transnacionais de mercadorias, das casas familiares de dois andares, um alpendre, uma cadeira de baloiço do lado direito da porta da frente, dois cães e algumas vacas, a América dos céus estrelados, das luas luminosas, dos lagos serenados por grilos, das brincadeiras e aventuras inocentes, e dos sonhos quebrados e inatingíveis -, como os The War On Drugs o fazem no século XXI.

A uma semana do lançamento de A Deeper Understanding – aquele que será o quarto registo de estúdio da banda de Philadelphia e pelo qual já se viajou pela América rural e profunda ao som de “Thinking Of A Place“, “Holding On“, “Strangest Thing” e “Pain” -, a banda de Adam Granduciel traz o quinto tema “Up All Night” para vincar ainda mais o cenário de dias árduos e abrasadores, revelando desta forma precisamente metade da narrativa do disco que será composto por mais cinco temas num total de dez e que será primeiro a chegar através de uma grande editora, a Atlantic – os três álbuns anteriores foram todos editados pela independente Secretly Canadian.

Se o piano límpido e a batida sussurrada dos momentos iniciais de “Up All Night” marcam uma cadência vagarosa, o embalo quase letárgico cedo dá passagem a uma melodia composta por elementos coloridos e vibrantes, com guitarras eléctricas e baterias a fazer voar o pó de estrada numa névoa dinâmica e flutuante que tarda em assentar. A Deeper Understanding sai a 25 de agosto pela Atlantic e coloca-se, passo a passo, ao lado das grandes colecções de canções daqueles grandes mestres que imortalizaram as histórias escritas com a vida dos blue collar, como Bruce Springsteen.