Saltando da pequena mas poderosa freguesia de Valada no Ribatejo, o Reverence Festival encontrou uma nova casa em Santarém, nesta que é a quarta edição do certame em que o stoner, o garage, o post-rock, o post-punk e o psicadelismo gritam mais alto. E como gritam. O Reverence tem vindo a enraizar cada vez mais o seu estatuto no panorama musical português nos últimos três anos, sendo uma tempestade de afirmações ao vivo, para os mais atentos, e de descobertas para os curiosos da cena underground.

Depois de um vasto leque de confirmações no passado mês de maio e algumas já no início de junho, a semana que agora finda revelou os últimos nomes do cartaz, com Mono, Gang Of Four, Oathbreaker, Bo Ningen e Siena Root e alinharem-se junto dos anteriores. Assim, e com o cartaz já encerrado, o Reverence assume-se como uma bela aposta em termos de diversificação de géneros que figuram no festival a realizar-se nos dias 8 e 9 de setembro em plenas margens do Rio Tejo, no Parque da Ribeira.

MONO

Mestres na criação de uma introspecção auditiva, o quarteto japonês MONO marcará presença com o seu post-rock expansivo e abrangente. Com guitarras que estendem a mais simples emoção ao seu lado mais explosivo, a banda irá certamente permitir, como é já habitual, que em poucos instantes se flutue acima das nuvens, elevação potenciada por atmosferas com distorções e cordas submersíveis. Os MONO trazem Requiem For Hell, o último álbum que editaram em 2016 e que revela os japoneses à luz de um certo back-to-the-basics., depois de terem passado pelo Amplifest no ano passado.

Gang Of Four

Os Gang Of Four passaram por Portugal uma única vez em 2006 como parte do cartaz que fez a edição desse ano do Vodafone Paredes de Coura e regressam agora 11 anos depois. A histórica banda britânica vem apetrechada de riffs e batidas que fabricam um post-rock especialmente limpído e energético. “Damaged Goods” de 1979 fará seguramente parte de uma setlist que se avizinha como uma incubadora de clássicos e músicas mais recentes. A banda formada em 1977 em Leeds trará uma nostalgia sonora com faixas que espelham uma revolta com o cenário político, ressuscitando o saudoso poder do punk.

Oathbreaker

Os belgas Oathbreaker fazem colidir o metal com a agressão harmoniosa das suas guitarras. A voz de Caro Tanghe expõe-se ora violenta, ora difundida em tonalidades suaves, provando um completo equilíbrio de sonoridades entre o leve e o pesado que o quarteto consegue atingir. Os screamos não são para ser temidos, dado que até é possível escutar shoegaze, sludge e post-punk nas suas criações repletas de ecletismo. A banda passou por Lisboa e Porto em novembro do ano passado e levam ao Ribatejo três discos, o último dos quais, Rheia, editado em abril de 2016.

Bo Ningen

Sendo uma das bandas mais entusiásticas no novo panorama musical, os Bo Ningen elevam diferentes parcelas do rock em músicas com acid-punk, krautcore e progressivismo em riffs descomprometidos e desconcertantes. Com um background assente em bandas de post-rock, o trio formou-se com o objectivo de criar uma sonoridade mais pesada sem esquecer os pincéis mais suaves com que foram pintando o seu caminho. Com colaborações com as Savages e Roger Robinson no currículo, é esperado com euforia o noise rock dos japoneses que vai esculpindo experiências mais explosivas e extasiantes por onde se fazem ouvir. Como 2016 foi um ano particularmente afecto a ambiências mais soturnas e pesadas, os Bo Ningen visitaram-nos também como parte do alinhamento do Mucho Flow em Guimarães.

Terminando os destaques, o retro rock não é esquecido com os suecos Siena Root, que vão colorir o cartaz do Reverence Festival com as tonalidades mais quentes e groovy que se podem encontrar no psicadelismo dos anos ’70. Com “A Dream Of Lasting Peace” editado já este ano, aperfeiçoaram o seu rock entrelaçado com uma atmosfera mais dançável que surge como sendo uma aposta mais jovial.

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É de relembrar que este ano está vincada a parceria do festival com a editora londrina Fuzz Club, que trará nomes carregados de neo-psicadelismo de electricidade apurada, como os The Underground Youth, os portugueses 10000 Russos, Nonn, Throw Down Bones e The Gluts. A essas bandas juntam-se agora o noise submerso em drone dos The Janitors, a poesia, o psych e as linhas de guitarras crisatalinas dos britânicos Dead Rabbits e o blues psicadélico de tónicas rurais dos alemães Pretty Lightning. No início de setembro, o calor andará seguramente por aí, atmosfera bem condizente com o ambiente rico nas mais variadas nuances do rock e do psicadelismo nas margens do Tejo. O certame encontra-se fixado nos €55 até dia 31 de agosto e sobe para €65 até ao início do festival.

O anterior leque de confirmações pode ser conferido aqui.