Ava Luna - Electric Balloon
80%Overall Score

Temos mesmo que gostar do estilo para apreciar a panóplia “carnavalesca” dos sons, por vezes monótonos, por outras descompassados. Do funk trazem o groove, do pop as vozes e do rock os riffs e “Plain Speech” talvez explique bem isto. Electric Balloon dá o nome a este álbum de Ava Luna que, vindos de Brooklyn, instalam-se bem numa sala exígua para exibirem o seu som. Os Ava Luna podem ser o início de uma grande festa, mas não são a festa de todo. Uma banda fixe para ter lá em casa a tocar enquanto temos amigos para e depois de jantar. Ritmos variados na mesma canção fazem lembrar Tomahawk em versão muito mais soft, mas com grande nível de dificuldade. Muita coordenação e de certeza muitos ensaios para ficar tudo bem tocado, pois rapidamente pode soar mal, uma vez que, (de novo) não deixa de ser um som estranho, mas que se vai entranhando à medida que o álbum avança. A música que dá nome ao álbum, “Electric Baloon”, parece um ensaio que saiu bem à primeira, uma música que nos leva a querer experimentar sons numa boa jam session.

Quer se goste ou não, Ava Luna tem algo diferente do que alguns de nós estamos habituados a ouvir; não é música de prime time na rádio, mas música de programa de autor em rádio, misturada com uma pequena ou várias histórias de proveniência da banda, sem fazer dela a própria banda sonora. Ava Luna são salas e estúdios de e para música, improvisadas para daí se tirar o melhor proveito de tudo o que se quer experimentar; é uma boa recolha de dados de uma experiência sonora bastante audível… um bom ou vários momentos bem passados com gente que pensa o mesmo ou parecido. “Daydream” parece saído de Talking Heads, mas a sua aparente desconexão atira-nos para outros lados também. Todas as músicas têm variações ritmicas que vão sempre parecendo com sentido, por mais burlescas que sejam. As vozes têm sempre um pendor de sexappeal que vai acariciando a paisagem instrumental. Aqui saboreia-se algo que só os intervenientes da banda o podem explicar, mas isto não tira a dinâmica de ser uma banda com seguidores… a melhor banda lá do bairro que leva a malta a ir vê-los a outros bairros, não indo a malta toda do bairro a todos os bairros, até porque se é lá do bairro é mais fácil apreciá-los lá no bairro, mas de bairro para bairro, a banda vai levando gente a ir vê-los. Não são eléctricos nem exuberantes, mas são dedicados quando lhes apetece fazer música; é uma banda que parece querer fazer da música a sua vida, mas não parece ter pretensões à fama e aos grandes holofotes, e muito menos andar encafuada em jet lags para extensas e demoradas tournées; é uma banda que parece gostar de fazer as suas tournées, nas quais possa viajar de metro e sem grandes complicações logísticas; é uma banda que parece gostar de andar de bairro para bairro, percorrer bairros de várias cidades no mundo e mostrar o que gostam de fazer, prendendo gente a ouvi-los.

Ava Luna com Electric Balloon recria-se por cada música que apresenta ao ouvinte e torna-se numa boa companhia nos transportes públicos quando se vai trabalhar, pois depois de um dia de trabalho (daqueles difíceis), duvido que seja Ava Luna que se queira ouvir. Ava Luna constrói este álbum com músicas todas diferentes umas das outras, mas sempre com a mesma assinatura, ora pelas vocalidades, ora pelo som da guitarra, conseguindo com o conjunto um respeitoso lugar em qualquer playlist do mundo. Ava Luna encaixa com qualquer gosto musical, porque é bom vir a este tipo de som de vez em quando; é como voltar às bases, é terapia de fazer. Se a música fosse trabalho, Ava Luna seria hobbie, um sítio fixe para se ir e gastar um alargado par de minutos e depois ir à nossa vida para mais tarde lá voltar. Ava Luna é tudo isto, mas não é muito mais. É a cabeça fora da janela do carro para sentir o ar fresco que nos derruba a mão quando a pomos na vertical; é uma “parva” brincadeira que nos satisfaz por qualquer estrada que viajemos e qualquer idade que tenhamos.

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