Escrito num quarto iluminado pela luz da tarde de Los Angeles, concebido em manhãs no Hawaii, escrito nas primeiras horas do crepúsculo californiano mas para ser ouvido durante as madrugadas e ao entardecer em qualquer parte do globo quer haja eucaliptos por perto ou não. Foi desta forma que foi apresentado no início de junho o novo disco de Avey Tare, um dos vértices do quadrado experimentalista nem sempre assim tão quadrilátero que estrutura o núcleo dos Animal Collective.

Avey, David Portner para os mais próximos, anunciava Eucalyptus, o seu segundo disco completamente a solo com um puzzle no seu site oficial, e acertava as peças para o regresso aos discos em nome próprio depois dos dois registos com os Animal já este ano. Apenas Down There de 2010 foi escrito e gravado exclusivamente por Tare, tendo todos os restantes contado ou com os toques mágicos dos restantes animais do colectivo basilar, ou com a ex-múm, Kría Brekkan.

Eucalyptus é editado a 21 de Julho pela Domino e carimba também desde já o passaporte de Portner, trazendo-o de volta a Lisboa depois da última passagem pelo Centro Cultural de Belém ter sido já em 2011 com os Animal Collective. Ainda sem absolutamente nenhuma música revelada –  o anúncio do disco foi feito com uma faixa escondida no site chamada “Ocean” que não faz parte do alinhamento -, Avey Tare consegue manter o disco invisível ao mundo até à data do lançamento. Portner explica,

I feel like there’s often pressure, being in the music industry and putting out records, to need a backstory. I don’t have anything wrong with that if there is a good one there, you know? But I feel like it often becomes what you hear about the record. (…) it’s such a personal record for me, and music in general is such a personal listening experience. I think it’s fine and positive that we don’t all share the same ideas about it.

Por agora, e sem som para explorar, ficamos com a afirmação quem vem de Tare de que este será um disco antagónico a Down There, colocando-se do lado mais luminoso das canções ainda que sempre com a mesma languidez e dentro das constelações experimentais da electrónica que dilui a pop e o folk num caldeirão de ideias com uma visão muito particular do psicadelismo.

O concerto de Avey Tare acontece no dia 21 de novembro pela mão da Galeria Zé Dos Bois mas em lugar ainda a revelar em data posterior.