Múltiplo e vibrantemente vivo: eis Baloji! Sem classificação que lhe abra a porta pela qual entra, elegantemente vestido e irrepreensivelmente musical, Baloji é um belga de origem congolesa que se dedica a multiplicar formas de expressão – é rapper, designer, actor, compositor, cantautor, criador por  inteiro. Afinal, cabe-lhe o mundo todo no corpo em viagens sem fronteira para a arte. Inaugurou o registo a solo nas andanças da música em 2008 com Hotel Impala, a que se seguiu Kinshasa Succursale em 2010. Em tempos mais recentes, vimo-lo a colaborar com Petite Noir e assinar pela casa que acolhe nomes como Beach House e Fleet Foxes, a Bella Union. Enquanto esperamos inquietos o EP 64 bits & Malachite, a ser lançado a 4 de Novembro, acompanhamos a alegria de  “Spoiler”, música e vídeo a fundir mundos e vontades de ir por aí a dançar e não voltar nunca.

Ouve também: Petite Noir

O nome diz tudo – é sobre aqueles, que todos conhecemos, que ainda  no calor da festa já estão a lembrar o frio da rua. Dançar é dançar, a pista é a pista, diz-se bem alto a quem por vícios de tristeza quer derrotar a torrente que Baloji tão bem conduz. E não está sozinho: consigo quatro gerações de músicos congoleses, de Malage de Lugendo da popular banda dos 70s Zaiko Langa Langa, a Klody Ndongala no palco da Escola de Arte de Kinshasa . E neste eclectismo de idades, tempos e sonoridades, será que interessa que nos perguntemos se é afro-beat, rap, funk, soul, jazz, electrónica, pop? Poderá ser tudo, mas nesta alquimia alegre não nos apetece verdadeiramente dar nomes a coisas que em si mesmas são imensas, heterogéneas e bonitas.

A fervilhar de energia desengane-se quem acha que a pura joi de vivre que encontramos em Baloji é indiferente aos mundos que reorganiza – a perspicácia e a surpresa vêm mesmo de nada ser óbvio. Das referências do título do EP à obsolescência da tecnologia num mundo de permanente avanço e recuo, à África tão nómada quanto segura de si mesma, deixamos ainda um spoiler de “Spoiler”: abre com um falso vídeo comercial a apresentar o swag de um novo telemóvel. E mais não dizemos que Baloji não precisa de quem fale em seu nome.