I am just a Traveller
there’s no light in this room

and the body’s aching at night

Não sabemos como conseguem, mas eis que os Beach House nos trazem novo vídeo e com a mesma dose de matéria espacial incrível a que nos acostumaram. Os foguetões estão prestes a descolar e levam-nos com eles por entre as constelações sem que nos queimemos, mas sem que voltemos iguais. Aqui recebemos “The Traveller”.

Graças a Thank Your Lucky Stars que aproveitamos já para agradecer. O ano de 2015 foi feliz em todo o seu esplendor, quando o par musical nos presenteou com dois álbuns; este último e Depression Cherry, que o antecedeu.

Em hologramas que vão da via futurista à vida vintage, uma mulher de vermelho carrega uma mala, com a cor de todos os significados e parece caminhar sem rumo, sem pressa, no interior de uma máquina do tempo que ecoa para a nossa adolescência ou para viagens de carro infinitas. Infinitas, também, são as viagens da nossa mente sempre que abrimos o invólucro das canções de Beach House, imensas nas suas caixas de Pandora. O panorama é o que se quiser que seja e o que o nosso inventário for resgatar.

Com harmonias que recordam os uivos dos franceses Air, com traços visuais que nos remetem para o filme Blade Runner ou com os vocais de Victoria Legrand em distorções que conjugam com as imagens do vídeo, no vídeo realizado por Jennifer Juniper Stratford, somos sacudidos por dentro e ficamos embriagados dos sentidos. Um clip que podia perfeitamente ter vindo dos anos setenta ou de um sonho tornado filme por algum mecanismo insólito.

Em tudo se vê o que já é supostamente ultrapassado e tudo isso é renovado e trazido de novo às superfícies. Cabelos, materiais têxteis, iluminação, a janela dourada do final. Por nuances de cores em espasmos disformes, não se atinge uma, mas várias dimensões. 4 minutos a preto, vermelho e azul e custa a acreditar que sejam só duas pessoas em palco. Uma enorme ovação também para os teclados e cordas de Alex Scally.

Os Beach House viajam pela América do Norte em digressão, mas por nós podiam voltar imediatamente aqui, se não fosse pedir muito, já que desde 2004 continuam a subir as assoalhadas de uma casa com vista para o oceano com pinta de shoegaze e doses imensas de melancolia metálica. Ainda não estamos cansados e tão cedo não vamos ficar, se o coração assim o permitir.

who else would do
anything for the Traveller
there’s a light in her eyes
and a future visible touch

i was looking out of the window at the sky
starless vigil of a life that has gone by
Saturn turning and I feel there’s not much more
for a vision of the night turn off your light