Best Coast - Fade Away
60%Overall Score

Bethany Cosentino e Bobb Bruno estão de volta com um mini-álbum de 7 canções chamado Fade Away. Desta vez lançado pela editora Jewel City, criada recentemente por Bethany. Fiéis ao estilo a que já nos habituaram em discos anteriores – não há aqui ruptura ou descontinuidade – a banda move-se confortável no universo do surf pop. Podemos descrever o disco como sendo uma súmula do que resultou bem em Crazy For You (2010) e The Only Place (2012), ou seja, não há nada de novo mas também não aborrece ao ponto de se poder afirmar categoricamente – isto não presta! São melodias soalheiras a evocar conversas com mar, quem sabe se para encontrar respostas para o desamor que de novo é a temática eleita por Cosentino. A novidade recai na maior produção. Neste disco, perdeu-se o som lo-fi tão característico da banda, o que poderá desapontar quem se apaixonou pelo som deles há um par de anos atrás.

As três primeiras canções, num ritmo mais acelerado do que as restantes, podiam perfeitamente ser a banda sonora de uma série para adolescentes. Em “This Lonely Morning”, Cosentino canta sobre o amor não correspondido e o sentimento de estar sozinha e não ser capaz de seguir em frente: “And though the day is gray, I know I can’t go anyway!”; a segunda canção, “I Wanna Know”, traz a situação ambígua do “quero-te, mas já chega porque assim não dá”, com o refrão orelhudo “Baby, goodbye”, para depois no final ficar a questão em aberto, com as guitarras a soar a anos 60 e a dar vontade de dar um pezinho de dança; a terceira vem com a dúvida existencial: “I want to be somebody else, sick of myself and how I feel / Who have I become?” e está dado o mote até ao final, que não vai passar de mais do mesmo.

O ritmo vai acalmar. “Fade Away” é uma balada cheia de efeitos de guitarra; com “Baby I’m Crying” percebe-se que afinal há uma diferença subtil, há maior segurança a cantar; o alcance da voz e tons diferentes marcam uma evolução positiva. O mesmo se passa com a parte instrumental: som límpido com os instrumentos a perceberem-se claramente, mesmo nas canções com mais distorção nas guitarras.

Já se fala sobre o próximo disco que sairá na Primavera de 2014. Se este mini-álbum é um aperitivo do que aí virá, não sei se chega para me abrir o apetite! É que no meio de tanta dúvida já dou por mim a questionar: “Será que cresci?”