Na passada sexta-feira, o espaço dos Maus Hábitos voltou a receber os conimbricenses Birds Are Indie. Num ambiente descontraído, a banda apresentou-se discreta e comunicativa no seu retorno à cidade Invicta. Regresso motivado pelo lançamento do mais recente Let’s Pretend the World Has Stopped, que convidou o público a parar o seu tempo e a escutar mais uma vez a bela pop independente nacional.

Antes de se entregarem à apresentação do novo registo, a banda realizou o devido aquecimento preparatório, interpretando temas dos álbuns anteriores. “Needless To Say”, retirada do primeiro álbum How Music Fits Our Silence, inaugurou o alinhamento com ritmos arrastados e percussões marcadas, acompanhadas de acordeão. Revisitando o segundo álbum Love is Not Enough, seguiu-se “One Thousand Kisses In Cardiff”, composta sobre o desafio estabelecido pelo casal da banda em dar mil beijos na capital do País de Gales durante uma viagem de cinco dias. Acabaram ao fim de quatro e ainda compuseram a música.

Primeira tomada ao novo álbum, “I’m Leaving This Town”, sobre amores e desamores à cidade de Coimbra, confirmou a evolução instrumental do trio neste novo registo, mantendo os acordes acústicos como elementos guias.
De volta ao segundo álbum , “Word of Mouth” e “If Only” continuaram a viagem sonhadora por entre roteiros alegres e melancólicos conduzidos por riffs e acordes eléctricos, numa reflexão sobre as supressões e necessidades da vida.

O público sossegado, continuou atentamente a escutar as composições meigas e adocicadas de “Springtime”, “Instead of Watching Telly”, contemplação ao envelhecimento com graciosidade e “Partners in Crime”, single de avanço do novo álbum confinado por ritmos vigorosos apoiados por luzes vermelhas e pandeireta.
Flutuando por acordes acústicos, batidas assertivas e sintetizadores com melodias suaves, continuaram a desfilar temas do mais recente longa-duração. “Let It Show”, sobre talentos desperdiçados, “A Different Rhyme” inspirada em “Paixão” de Rui Veloso,  “Something In Me” e “Finish Line”, comprovam a maturidade do trio de Coimbra sem nunca destoar da sua gramática musical já declarada.
A fechar a jornada, tempo ainda para “High on Love Songs” a relembrar a felicidade que se pode retirar em conhecer apenas três acordes.

Após uma saída improvisada atrás das cortinas, a banda voltou às suas posições para um encore em modo discos pedidos. Registadas as propostas da audiência e reavivadas as letras e os acordes, “I Will Say It In Your Face”, recordação do primeiro álbum surge serenamente, acompanhada por palmas e luzes azuis.
De visita ao EP Life Is Long, escutaram-se ainda “Kitchen Morning” e “Snooker and Curling”, pedida por um membro do público há um ano atrás, tocada na esperança de redenção.
Guardada para o término, “Yellow Leaf” encontrou uma guitarra acústica mais ríspida somada a palmas ritmadas.
Os aplausos calorosos e ininterruptos do público constatam que sim, valeu a pena parar o mundo para escutar estas andorinhas que andaram à solta pela primavera fria com vista para as luzes da cidade.

As imagens de Marcelo Baptista aqui:

Birds Are Indie @ Maus Hábitos