Quando os Black Rebel Motorcycle Club surgiram com o álbum auto-intitulado em 2001, era notório que um sopro de inovação pairava sobre a cena musical. A revisitação do garage rock não era novidade, é verdade, mas bastava ouvir “Love Burns” para perceber que algo grandioso estava ali. Desde então, muita estrada foi percorrida e, hoje, os BRMC já são veteranos consagrados na cena alternativa mundial.

Agora, no vídeo recém-lançado para “Carried From The Start” – o sexto oriundo da última empreitada da banda, “Wrong Creatures” (2018) -, os BRMC abandonaram o tom minimalista das recentes gravações em estúdio, como em Little Thing Gone Wild” e “Echo, e enveredaram por uma produção épica.

Sob a direção dos Snorri Bros, que já trabalharam com os R.E.M. em “Daysleeper”, o registo visual acompanha um homem aparentemente cansado e em desalento na procura de uma misteriosa morena, enquanto é auxiliado por um ameríndio. Se nada parece fazer sentido nesse resumo simplista, as coisas realmente funcionam no trabalho dos diretores islandeses.

A produção é recheada de simbolismo e explora o contraste entre a euforia e o desânimo do protagonista, por meio de cenas coloridas em uma casa noturna e outras em preto e branco em uma paisagem desértica. Música e vídeo dialogam muito bem, produzindo uma ambientação sexy, quente e noir.

“Carried From The Start” é possivelmente a faixa mais spacey do sétimo longa-duração da banda americana, e isso foi verdadeiramente captado no vídeo, principalmente nas cenas registadas em uma longa e vazia estrada, rodeada por uma vegetação escassa.

Em tempos digitais, em que a identidade visual da música é posta um pouco de lado, é revigorante ver vídeos produzidos com tanto esmero como esse. A videografia dos BRMC é, em geral, bem competente, e essa nova produção figura facilmente no rol dos melhores vídeos editados pela banda.