Nos tempos que os Massive Attack tinham uma certa simpatia pelo diabo, o r&b ainda corria forte nas veias daqueles que viriam a ser o expoente máximo de um trip-hop que ainda nascia sem nome. Dez anos mais tarde, no seio da classe média-baixa da Cidade Do Cabo, na África do Sul e da subcultura Zef, a união de Ninja, Yo-Landi Vi$$er e DJ Hi-Tek dava à luz um híbrido chamado Die Antwoord. Entretanto, Jamie XX fundiu-se com Gil Scott-Heron depois de já ter encharcado de electrónica e hip-hop uma banda post-punk minimalista chamada The XX.

Sim, são pesadas as referências, mas os Blänk, vindos da zona norte da Suécia (Sápmi/Lapland) são, acima de tudo, uma força de fusão ao nível de todos os supra citados. Sem relegar as suas origens geográficas e a influência das antigas canções folk do povo Sami, a banda de Luleå consegue envolver as suas bases inegavelmente electrónicas, o r&b tingido de hip-hop e contornos house e pop com a melancolia tradicional de tantos projectos suecos de pendor indie/alt que têm dominado muitas das colecções de discos e iPhones de todos nós.

Lina Öhman, Simon Trabelsi, Klas Granström revestem-se, ao primeiro single do novo disco, este “Tears Run Dry” de electropop doce, de palavras sem esperança, numa canção que sabe que este é o momento do coração se desfazer em pedaços mas da forma mais bela e luminosa que lhe seja possível. A reconstrução não tarda… assim que as lágrimas sequem.

Only Built For Northern Lights tem data marcada para inicio de Março pela editora da própria banda, a Grind Records.

alec peterson sig

 

 

 

COVERblank_tearsrundry_webres