Blouse - Imperium
90%Overall Score

Escolham um momento especial, sítio confortável, alma e coração atentos. Esta viagem começa com um convite feito pela voz doce de Charlie: “Are you one of us?” e entramos no universo Blouse.

Imperium é o segundo LP da banda de Portland, Oregon, composta por Charlie Hilton na voz, Jacob Portrait e Patrick Adams. Já roda por aí e teve lançamento a 17 de Setembro 2013, pela editora Captured Tracks. Jacob Portrait acumula funções como membro da banda e produtor. Com guitarras sonhadoras a convidar a movimentos lânguidos, este álbum não desilude em relação ao LP anterior. Muito pelo contrário. Há amadurecimento, há crescimento, há diferença no som e afirmação de espaço próprio. Há magia. A mudança reside sobretudo no desaparecimento do uso de sintetizadores e de caixas de ritmo, em detrimento de guitarras e baixos cheios de efeitos e de bateria no termo tradicional da coisa! Possivelmente, um voltar às raízes do som que cresceram a ouvir a vir descaradamente ao de cima. A continuidade mantém-se, no entanto, pelo mistério e beleza a que nos habituaram no anterior Blouse, editado em 2011, e que estão presentes e bem marcados pela voz de Charlie.

São dez canções de amor e abandono que nos fazem sentir gigantes num tema e a precisar de colo no outro. A promessa feita em “1000 Years”, talvez desaconselhada a corações sozinhos, mas com mensagem de esperança presente, a dúvida em “A Feeling Like This”, o desafio a perdermo-nos em “No Shelter”, single oficial do álbum, o encanto da pergunta feita em “Happy Days” e o sorriso rasgado que se abre e fica até ao final de “Arrested” com o ritmo a subir, convidando a sair do conforto, a sentir e a dançar. No final, novamente o convite: “Trust me. I’m the one who loves you / Trust me. I’m the one who dares”, com a delícia do monólogo a duas vozes e o apelo urgente a fazer voltar ao primeiro tema.

Em entrevista recente feita à banda, Jacob Portrait definiu o álbum em cinco palavras: “bonito, escuro, feio e feliz”. Ao escutá-lo, sentimos isso e muito mais. Por sua vez, Charlie afirma que o tema mais presente e desenvolvido ao longo das dez canções é a visão. Seja pelo lado do imaginário, seja pelo lado quase religioso dos apelos em que se acredite, seja pelas imagens dos sonhos que as suas letras sugerem, o efeito pretendido está lá, em cada uma das faixas, deixando espaço para que cada um de nós fabrique a sua própria visão.

Torna-se muito difícil destacar temas no conjunto de Imperium; há homogeneidade prima da primeira à última canção. De uma maneira muito confidente e pessoal, as minhas escolhas vão para “In A Feeling Like This” e “Trust Me”, entre outras coisas, pela brincadeira entre as palavras. Equilíbrio muito bem conseguido no alinhamento escolhido, cada canção no seu lugar a fazer sentido ou a contar uma história com princípio, meio e fim, se estiverem atentos e quiserem ver por esse lado.