O ano de 2016 começou da pior maneira para os fãs dos Bombay Bicycle Club; ainda nem o mês de janeiro tinha terminado e subitamente, sem aviso prévio, somos ‘forçados’ a despedir-nos de uma das bandas mais interessantes e promissoras da actualidade. Talvez a palavra ‘despedida’ não seja bem empregue para esta situação visto que a banda prometeu regressar, mas a verdade é que são inúmeros os casos de hiatus com durações a rondar entre dez a vinte anos.

Faz hoje precisamente um mês desde que a banda informou os seus fãs de que iria entrar numa pausa por tempo indefinido. Engane-se quem pense que a relação entre o quarteto londrino poderia estar frágil ou desgastada, sendo esse um dos motivos para esta interrupção; foram os próprios que informaram que estavam mais próximos do que nunca. Simplesmente, como qualquer artista, cada um dos quatro quer ‘conhecer o que há para lá disto’ e apostar em coisas novas: Jack Steadman e Ed Nash vão lançar, cada um, um disco a solo para breve, Suren de Saram vai colaborar com outros artistas e Jamie MacColl vai voltar para a universidade. Apesar de a banda frisar que não se trata de um fim, é impossível não ficar entristecido com o facto de uma das grandes bandas da actualidade – tendo ganho o prémio “Best New Band” nos prémios da NME em 2010 e sido nomeada para o Mercury Prize Award de 2014 – apagar-se desta forma.

Durante uma carreira com onze anos de longevidade, os Bombay Bicycle Club lançaram muito (boa) música. A Tracker Magazine criou a seguinte lista com 10 dos temas mais marcantes ao longo desses anos. As memórias perduram para sempre e, felizmente, o grupo de Crouch End deixou-nos com muitas, tendo sido difícil resumir quatro álbuns em apenas dez músicas; de frisar que não se trata de nenhum top, mas sim uma lista com o melhor que lançaram cá para fora (sendo singles ou não).

Always Like This (I Had The Blues But I Shook Them Loose)

Um primeiro amor nunca se esquece, e é exactamente isso que “Always Like This” representa para os Bombay Bicycle Club. Não só foi o single de estreia da banda, como também os catapultou como um dos nomes da ‘cena indie britânica’, conquistando inúmeros elogios. Presença mais do que assídua em concertos, mantém-se até hoje como uma das favoritas dos milhares de fãs do grupo londrino.

Dust On The Ground (Flaws)

Flaws, o segundo álbum da banda, consistiu maioritariamente em novas versões de músicas previamente lançadas e de covers.”Dust On The Ground”, de I Had The Blues But I Shook Them Loose, foi reestruturado por completo de forma a integrar a temática deste novo trabalho e é no formato acústico que o tema atinge todo o potencial: a suavização que sofreu permite-nos ficar absolutamente rendidos à voz de Jack Steadman, cujas guitarras que o acompanham criam um cenário de total harmonia.

Feel (So Long, See You Tomorrow)

A Wikipedia cataloga world music na secção de géneros dos Bombay Bicycle Club, e ao ouvir “Feel”, entende-se porquê; à primeira escuta, é impossível não fazer a associação a uma melodia tipicamente oriental. É incrível a forma como a banda conseguiu incorporar diversos sons tão distintos, culminando numa música vibrante que parece saída directamente de um filme de Bollywood. Aliás, aqueles que a revisitarem, é quase certo que encontrem novos instrumentos ou sons que lhes escapou nas primeiras audições, naquela que é a música mais complexa de So Long See You Tomorrow.

Flaws (Flaws)

Antes de a sua carreira ir de vento em popa, afirmando-se cada vez mais como um dos nomes a ter debaixo de olho no mundo do folk, Lucy Rose começou a dar os primeiros passos ao (en)cantar o tema “Flaws”, juntamente com os Bombay Bicycle Club. Combinando a emoção que atribui a cada uma das palavras que canta e a guitarra solitária de Jack Steadman que a acompanha, “Flaws” é uma das canções mais belas e emotivas assinadas pela banda.

The Hill (I Had The Blues But I Shook Them Loose)

“The Hill” trata-se de uma ode à adolescência e às atribulações nela presentes; “And looking back, looking out at different things. We flew too high; let the Sun burn our wings. We never thought it would be us. Let it all come fast; turn to dust” é apenas um exemplo. Lançada quando os membros da banda ainda nem se quer tinham alcançado a marca das vinte primaveras, representa a sua forte qualidade na escrita, sendo tanto profunda como de fácil identificação.

How Can You Swallow So Much Sleep (A Different Kind Of Fix)

Após o desvio para os caminhos do acústico em Flaws, a banda regressou à sua trajetória indie-rock em A Different Kind of Fix. “How Can You Swallow So Much Sleep” foi, portanto, a melhor maneira de dar início ao álbum de ‘redenção’ – Flaws não recolheu grande afecto nem dos fãs nem da crítica – e voltar às suas origens indie rock, revelando também amadurecimento e evolução por parte dos londrinos; um nítido exemplo de um pedido de desculpas bem feito.

Lights Out, Words Gone (A Different Kind Of Fix)

Descrever o porquê de “Lights Out, Words Gone” ser tão especial está ao mesmo nível de dificuldade do que explicar as razões de estarmos apaixonados por uma moça toda catita, mas, tal como a dita rapariga, são as pequenas coisas que nos conquistam. É a junção do baixo sonante de Ed Nash, o cowbell de Suren de Saram, as passagens entre guitarra e teclado de Jamie MacColl e as vozes de Jack Steadman e Lucy Rose (novamente a exercer o papel de segunda voz) que, ao unirem-se, criam uma das músicas mais bonitas dos Bombay Bicycle Club.

Luna (So Long, See You Tomorrow)

Desde o xilofone inicial até ao estridente solo de guitarra final, é difícil não manter o sorriso durante os três minutos de “Luna”. Dotada de uma sonoridade animadora, ao qual acresce a voz doce e suave da convidada Rae Morris, estamos perante um dos pontos altos de So Long See You Tomorrow e do caso raro de uma música que consegue desencadear sentimentos de alegria e felicidade àqueles que a ouçam, justificando-se o porquê de ser uma das mais aplaudidos quando é tocada em concerto.

You Already Know (Evening/Morning)

Por ter sido lançado com o single Evening/Morning e não integrar nenhum dos álbuns, “You Already Know” passou um pouco despercebida aos olhos dos fãs da banda, mas nem por isso deixou de ter grande impacto na mesma: foi este tema que esteve por de trás da criação do álbum acústico Flaws. Com o passar do tempo veio a tornar-se numa favorita do público, cuja letra romântica q.b. e um riff simples mas sonante, tornou-a na música mais semelhante a uma balada que os Bombay Bicycle Club têm na bagagem.

So Long, See You Tomorrow (So Long, See You Tomorrow)

Quando foi lançado, a escolha de “So Long, See You Tomorrow” para encerrar o álbum era mais do que adequada, sendo o culminar perfeito para o álbum com o mesmo nome. Agora, com as tristes notícias do hiatus, a música subitamente passou a ganhar nova relevância e a mensagem que escondia é revelada: era uma carta de despedida para os seus fãs, sendo “I love you”, o último verso, a mensagem que queriam que perdurasse nas mentes dos seus fiéis admiradores. Que este ‘até logo’ seja curto e que o ‘amanhã’ chegue rapidamente.

https://youtu.be/l_1jG61j6-I