Na próxima sexta-feira, dia 12, Braga irá tornar-se num oásis que receberá a exótica música de Omara Moctarin, ou Bombino, como o melhor conhecemos, o ‘ Hendrix do deserto’.

Bombino volta ao nosso país depois de uma bem-sucedida tour no ano de 2013 com o seu expoente máximo no Festival Vodafone Paredes de Coura – onde até proporcionou um dos mais memoráveis concertos intimistas a que a vila já assistiu. Este ano, o mote é o novo disco Azel que foi produzido por David Longstreth, músico dos Dirty Projectors (um que há muitos anos falava de Bombino com muita admiração). A sua música alude, automaticamente, a terrenos calcorreados por outros grupos semi-conterrâneos (os Tinariwen, por exemplo), que se engloba sob o útil epíteto de Tuareg; esta denominação é, além de musical, geográfica e até política, referindo-se ao povo que habita o deserto do Sahara e com um estilo de vida nomáda.

Há, além disso, intersecções musicais: são constantes os ritmos acelerados, as vozes em registos estranhos à nossa cultura musical ocidental e a predominância da guitarra eléctrica – que é, de resto, o instrumento de eleição de Bombino desde os seus 10 anos quando a tocava clandestinamente nos acampamentos onde pernoitava. A história de Bombino com a guitarra é, também, o reflexo e a consequência do seu meio envolvente: o exílio que viveu durante muitos anos expressa-se na sua música. Perdemos o significado das suas palavras, cantadas em Tamasheq, mas tudo o resto intuímos facilmente.

Ultimamente, o músico tem proposto uma subtil mutação ao seu som, descrito pelo termo Tuareggae: alia a música que já lhe conhecemos à cadência repetitiva do reggae, que a espaços vai aparecendo no novo disco. A experiência correu bem, e Longstreth afirmou-se como a escolha acertada para produzir o novo trabalho.

É por tudo isto que o concerto no dia 12 no Theatro Circo é imperdível. Encontramo-nos lá!