Bonfire Beach - Bonfire Beach
70%Overall Score

Começa-se por estranhar esta mixórdia de déjà-vu consecutivos sempre que começa um tema ou muda um ritmo no mesmo tema, um verdadeiro festival nostálgico de sons aqui e ali, um ritmo daqueles do, e um refrão a lembrar aquela do, ou uma guitarra que só pode ser dos, e aquele baixo tão característicos dos. Pelo meio de divisões e eclipses, vias rápidas e motéis, segue-se esta viagem pelas dunas sem aparente rumo. Nostálgica ou revivalista, cópia ou remix, esta fogueira na praia promete, principalmente se for acedida à noite e bem regada com um qualquer veneno na moda nos dias de hoje. No entanto, quando se chega a meio da noite, a fogueira tende a enfraquecer e nem mesmo os rapazes de Londres conseguem trazer nada de novo. E volta o baixinho outra vez, igual a tantos outros a lembrar não sei quem, neste sonho das sombras que tanto parece muito como de repente não é nada. E, finalmente, as ofertas, os extras, aqueles que por pouco não eram, e que de novo nada trazem, a não ser talvez por lapso, um pouco de originalidade. Ondas eléctricas e sinos, campainhas e coisas que tocam alto para chamar a atenção. Ideal para certos circuitos do gógó e do nheca nheca do costume. Capaz, inclusive, de se tornar num clássico do escuro ou dos espelhos.

Do ponto de vista do próprio ser, a fogueira da praia está longe das longas noites de verão nas praias por esse Portugal fora, ou dentro já agora, umas vezes com areia, outras com seixos. É curta para ter ofertas, e longa para um singular; parece uma extensão, mas acabam por lhe chamar um longo, o que me parece bastante ofensivo para aqueles que realmente se aguentam um lado inteiro da velhinha compact cassette. Mas são assim, estes Bonfire Beach, com este LP de estreia com o mesmo nome, com esta Dexy Valentine, e com toda a sua pujança e toda a sua cagança, só me faz lembrar aquele grande pequeno refrão onde “todas as tuas explosões redundam em silêncio”, que sempre me assombrou pelo facto de se ser ou não se ser, do outro, claro, no sentido em que, quando é para ser, é-se na sua totalidade, e não se fica pela metade. As explosões querem-se grandes, com cogumelos e barulhos ensurdecedores, capazes que nos calar no pico da nossa discussão, e de nos cegar na luz da nossa existência. Espaço para evoluir? Todo. Oportunidade para evoluir? Isso já é outra conversa. Anda muito por aí, e a maior parte deles já evoluídos, já crescidos e já explodidos.