Os Boogarins deram o primeiro ar de sua graça em 2020. A banda de Goiãnia lançou hoje  #fefel2020, um single de dois temas, “Tanta Coragem” e “Inocência”. Ambas para ouvir em baixo no player de Bandcamp.

Os temas são escritos e cantados pelo baixista Raphael Vaz – Fefel é o nome carinhoso – e abre caminho para um novo disco dos Boogarins. O registo que está ainda em fase de preparação, será construido recorrendo a temas escritos durante a fase de composição e gravação de Lá vem a morte de 2017 e Sombrou dúvida de 2019 e, até agora, último longa-duração da banda.

O disco chamar-se-á Manchaca, nome da rua da casa onde o quarteto brasileiro ficou, no Texas, durante as gravações.

Fefel deixou um longo comentário sobre a história dos novos temas no site e nas redes sociais dos Boogarins:

Os últimos anos foram bem frutíferos. Principalmente se levar em consideração que até o fim de 2013 não havíamos nem pisado fora do país. Mas isso já parece uma vida de distância. Falando de memórias mais recentes, entre 2016 e 2018 gravamos nossos últimos dois discos no Texas – o Lá Vem a Morte (2017, OAR) e o Sombrou Dúvida (2019, OAR), processos que aconteceram tanto em estúdio quanto numa casa (chamada por nós de Manchaca, nome da rua onde a casa ficava).

No início desse processo, em 2016, fizemos uma residência no Hotel Vegas em Austin, tocar todo Sábado lá durante um mês e gravar material novo na casa onde ficaríamos por quase 2 meses. Moramos juntos em uma casa que ficava distante do centro, não tinha internet e onde tínhamos o dia todo pra produzir ou ficar à toa. Nesse ano foram quase 5 meses seguidos nos EUA entre shows e essas gravações no nosso “home/studio” texano, começando com uma turnê de abertura para o Andrew Bird por palcos clássicos da costa leste e outra por clubes da costa oeste com banda sueca Dungen.

Em uma dessas turnês, que acabava em Portland, me presenteei com um pequeno violão de nylon que desse pra carregar por aí. Apesar da sua pequenez, o violão ficou em Austin por dois anos, já que a bagagem extra que eu teria que pagar era mais cara que o violão.

Um ano depois me veio “Tanta Coragem”, num quarto de hotel onde eu dormia com Markola, tour manager e amigo gringo. Gravei os acordes e balbuciei melodias. Nesse dia meu inglês falhou em uma conversa com Mark e coloquei na letra o que eu tentava dizer pra mim mesmo. Voltamos pra Austin pra gravar, dessa vez em estúdio, as primeiras sessões do que seria pro Sombrou Dúvida e essa demo ficou no meu computador por uns dias. O ócio do artista que cultivávamos lá me permitiu acabá-la.

Já em 2018, ano das últimas seções do SD, Benke foi convidado para uma espécie de residência artística por 10 dias em Berlin e de lá trouxe um presente para cada um dos Boogarins restantes. Discos de vinil para Ynaiã, um livro para Dinho e uma Kalimba de 4 notas para mim. Era a primeira viagem que ele fez sem a gente, da qual voltou visivelmente abalado. Ao me entregar o presente ele encomendou uma música. “Inocência” é a encomenda, um loop de 2 acordes do violão pequeno, onde a kalimba e a melodia fazem a função de separar as partes da música. Uma canção lúdica e singela.

Mostrei a música e meus amigos choraram muito, disseram que a banda não iria gravar aquela demo nunca. Benke me disse que tinha muitos planos pra me ajudar a realizar meu sonho, que é o sonho de ser importante. Este ano meus amigos acharam que era o meu ano, 2020, o ano em que faço 30 e meu cabelo cai.

ASS: FEFEL