Eles mudaram e já não são o que eram. Pelo menos, por agora. Se a mudança é permanente ou não, é algo que continuará no segredo dos deuses e fica para ser confirmado aquando do lançamento de um novo álbum.

A verdade é que quem esperava no último disco dos Bring Me The Horizon mais uma valente dose de metalcore a puxar para o screamo feito de forma preguiçosa e a seguir à risca fórmulas instituídas, distribuído quase (mas não) em exclusivo ao longo da carreira dos britânicos, testemunhou algo completamente diferente em Amo, editado em Janeiro deste ano, e dir-se-ia, até, que os rapazes de Sheffield aparecem profundamente irreconhecíveis.

A brincar, espante-se, com teclados e sintetizados, os Bring Me The Horizon dão continuidade à sua recente incursão pelas vias mais electrónicas e pela synthpop, e de forma assim já não tão inesperada pegam num tema de Anohni para lhes acentuar as curvas digitais.

Nasce assim uma versão para “Drone Bomb Me”, original do álbum Hopelessness editado em 2016 – o primeiro sob o pseudónimo Anohni, após um percurso musical feito durante mais de uma década enquanto Antony & The Johnsons. A cover aparece como parte da Spotify Singles e foi gravada nos estúdios da plataforma na cidade de Nova Iorque como “lado B” da versão acústica para “mother tongue”, parte do alinhamento de Amo.

Na mão dos Bring Me The Horizon, “Drone Bomb Me” garante sem pestanejar um lugar ao lado das melhores construções synthpop a que se tem assistido. Para trocar as voltas a quem pensava que já tudo no mundo da música era previsível e estático.